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A gente gosta de dizer que o Brasil não é racista. Enchemos a boca para falar que somos o país da diversidade racial, que todo mundo convive bem e que aqui a cultura negra é festejada, olha que alegria! Só que não. Como já dizia George Orwell, no clássico A Revolução dos Bichos: somos todos iguais, mas uns são mais iguais que os outros.

Todos temos direito à proteção, mas alguns acabam mais atingidos. Todos temos direito à educação, mas alguns ficam de fora. Todos temos direito aos bens materiais, só que alguns terão que esperar mais um tempinho, que tem gente na frente. Então paremos com essa história de país igualitário e olhemos o Brasil pelo que ele é: um país preconceituoso, que insiste em manter uma desigualdade gritante e ainda por cima profundamente ligada à aparência das pessoas.

O que é um pouco mais difícil de engolir é o seguinte: se o Brasil é um país racista, somos todos racistas. Eu, você, o seu professor favorito, avó, filho, namorado, todos. Eu sei que você já abriu a boca para dizer que “nãão, eu não, imagina!”, mas acompanhe meu pensamento. Existe um “pré-conceito” muito forte na nossa sociedade, que é a ideia de associar a pobreza, a criminalidade e a falta de ensino às pessoas negras. É por isso que o mulato é o primeiro suspeito da polícia, que o “moreninho” de chinelo é confundido com um pedinte e que tem gente que não pode participar de um happy hour em paz sem ser confundido com o garçom.

E eu, toda linda e cheirosa, que sempre acompanhei os movimentos sociais, que sempre pensei diferente e nunca hesitei em apontar o preconceito e o machismo alheio, eu achei que estava acima disso. Eu achei que ler e pensar a respeito do racismo e exercitar minha aceitação ao diferente me faria imune a esse pensamento de Casa-grande e Senzala, e que eu realmente percebia que todos eram iguais. Até o dia em que eu dei de cara com a parede.

Tô branco agora, moça?

Tô branco agora, moça?

Foi numa cidadezinha de Portugal, chamada Braga. Fui visitar meu irmão que estava morando e estudando lá. Ele ocupava um dos quartos de um prédio cheio de estudantes de todas as partes do mundo. Estávamos eu, ele e alguns brasileiros na porta do prédio. A essa altura eu já estava zonza com o tanto que tudo era diferente naquele continente. Eis que se aproximam de nós duas moças. Uma delas, que chegava sorridente à frente, devia ter uns 20 anos, tinha cabelos loiros e cacheados, olhos azuis e cara de anjinho. A outra, que vinha logo atrás, era mais reservada, devia ter por volta de 30 e poucos, era negra, de olhos e cabelos castanho-escuros. Elas chegaram perto do nosso grupo e, vendo que eu era nova na cidade, a menina da frente se apresentou num inglês muito difícil: “Oi, eu sou fulana. Esta é ciclana”. Sorri para as duas e me apresentei também. Foi só quando meu irmão comentou que elas eram estudantes da faculdade dele vindas da França e de Cabo-Verde é que eu despertei da realidade paralela na qual eu tinha entrado: eu estava assumindo que era uma menina e sua empregada!

Quando eu percebi que eu tinha presumido que uma estudante de Cabo-Verde era a empregada de alguém, só porque ela era negra, me deu vontade de cavar um buraco ali mesmo e enfiar minha cabeça dentro. Ainda bem que eu tive a decência de não abrir a minha boca e ninguém percebeu. Eu não creio que eu as trataria de modo diferente se fossem uma faxineira e uma patroa, mas eu fiquei assustada com a facilidade com que eu entrei nesse jogo de “ele é preto, então é pobre”. Então eu lembrei que já tinha pensado assim muitas e muitas vezes, só que nem sempre o choque entre realidade e imaginação era tão grande como foi naquele outro país.

Desde então eu fiquei pensando muito em como escapar do meu próprio preconceito. Ultimamente tenho tentado usar a imaginação para inverter as cores das pessoas nas ruas. “O que eu pensaria se esse cara fosse branco, e não negro? Qual seria a minha visão sobre essa senhora, se ao invés de branca, ela fosse negra?” Funciona em parte, mas ainda preciso de alguma prática. Enquanto ainda não consegui tirar o racismo da minha cabeça, o melhor é me esforçar duplamente para tratar todo mundo igual. E gastar mais uns cinco minutos checando se o garçom é mesmo o garçom.

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Onde está o seu lixo?

Sabe onde vai parar aquela tampinha, aquele lixo inocente que as pessoas jogam na rua?

Ela é carregada por milhares de quilômetros, através de esgotos, rios, mares, oceanos, boiando nas correntes marítimas. E aí, no meio do caminho entre o continente americano e a Ásia, ela para nas praias de uma ilha. A ilha Midway.

E eis o que acontece quando os pássaros da ilha de Midway se encontram com a montanha de lixo que produzimos todos os dias:

O fotógrafo Chris Jordan pretende lançar este ano um documentário sobre a ilha. O vídeo acima é o trailler.

Acho que a gente precisa refletir não só sobre o lixo que a gente joga ou não na rua. Mas sobre o fato de que todo o lixo que produzimos vai para algum lugar. Principalmente o plástico. Dá para imaginar que todo o plástico já produzido e usado no mundo está intacto em algum lugar? (afinal, o material leva mais de um centena de anos para se decompor, mais tempo do que o que passou desde a sua invenção). Aquela tampinha da primeira coca-cola que você tomou, onde está? E aquele celular tijolão que você já teve? Tem componentes de plástico, onde estarão? E aquela boneca ou carrinho, que era o seu favorito? Está num lixão? Flutuando num oceano? Numa ilha?

Via Blog do Tas

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Muitos devem se lembrar do caso da enfermeira que matou o próprio cachorrinho yorkshire espancado em Goiânia. As imagens dos maus-tratos rodaram as redes sociais e geraram uma onda de indignação. A revolta acabou pressionando as autoridades e resultaram num inquérito e em indiciamento.

Mas muita gente se perguntou (e não posso deixar de me perguntar também) por que ao invés de denunciar, a pessoa que era vizinha da enfermeira escolheu gravar um vídeo e colocar no YouTube. Eu entendo que também seja um tipo de denúncia, mas me parece muito mais uma espetacularização do sofrimento animal.

porpeta

Vitório Porpeta diz: bater em animalzinho indefeso é crime!

Quantas fotos de animais maltratados rodam por aí? Quantas fotos, inclusive, das pessoas que teoricamente espancaram um animal são repassadas em corrente nas redes sociais, muitas vezes até sem provas concretas?

Não seria melhor que, ao invés de divulgarmos, gravarmos um vídeo e levarmos para quem realmente pode punir essas pessoas?

A Bia, do Gatoca, descreve direitinho o que se pode fazer nesses casos. Vale a pena conferir.

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Às vezes, tudo o que uma pessoa precisa é de um pequeno empurrãozinho financeiro para começar seu negócio. Algo da ordem de R$ 5 mil ou até mesmo R$ 500,00 para comprar suprimentos e montar uma lojinha. O que acontece é que muitas vezes esses micro micro agricultores ou empresários ao redor do mundo não têm sequer uma conta no banco, que dirá acesso a crédito na praça.

É aí que surgiu o microcrédito, um conceito que surgiu na Índia e tem como objetivo dar esse voto de confiança inicial que essas pessoas precisam.

Mas e você com isso? Você agora pode colaborar emprestando dinheiro para as companhias de microcrédito. Funciona assim: você entra no site da Kiva e escolhe um projeto para financiar. As quantias variam, mas é possível começar com 25 dólares. A Kiva empresta esse dinheiro para um empresa de microcrédito local e quando a quantia desejada for atingida, esse dinheiro é emprestado para o pequeno agricultor ou comerciante (a maioria dos projetos estão na África ou países mais pobres da América Latina). Quando o agricultor conseguir fazer seu dinheiro render, ele paga o empréstimo de volta e você também recebe o seu dinheiro de volta.

E então pode financiar mais um projeto e fazer tudo girar novamente.

Uma em cada três mulheres será espancada ou estuprada durante a sua vida. Considerando que o mundo tem mais de 3 bilhões de pessoas do sexo feminino, isso dá pelo menos 1 bilhão de mulheres feridas.

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Um bilhão de mulheres violadas é uma atrocidade.

Mas um bilhão de mulheres dançando é uma revolução.

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Nesse sábado, 16 de fevereiro, mulheres e homens de São Paulo se erguerão pelo fim da violência contra a mulher.

E você?

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Como que monta, mãe?

Como que monta, mãe?

As pessoas cometem erros gramaticais incríveis na internet, eu sei. Acredite, eu leio, escrevo e reviso milhares de caracteres por dia e não tem nada que faça meu estômago revirar mais fácil do que um “fássio”. Mas antes de sair dando indiretas no Facebook ou dar print screen no erro dos outros, eu tento parar e pensar sobre algumas coisas:

A primeira questão é que eu sou uma pessoa muito privilegiada nesse país. Eu tive acesso a uma boa escola, tenho boa capacidade de aprendizado, tenho pais que me incentivaram o hábito de leitura desde cedo e tive acesso ao ensino superior. Além disso, sou jornalista, tenho a língua portuguesa como objeto de trabalho, o que me dá o privilégio de saber mais do que a média quando o assunto é coesão textual ou regras gramaticais.

Mas a maioria das pessoas não teve a mesma vida que eu. Muita gente não teve oportunidade de estudar, porque tinha um trabalho integral aos 12 anos ou porque a escola era muito longe. Outros até frequentaram bons colégios, mas têm problemas de aprendizado. Outros ainda acabaram focando totalmente em outras áreas, por causa da dificuldade com o português e com as matérias de humanas.

Então quando a gente aponta o dedo e critica uma pessoa que não sabe escrever de modo correto, nós estamos fazendo isso de uma posição muito superior a ela, e isso, na minha opinião, é extremamente cruel. É como se você visse um cara sem um braço na rua e começasse a rir porque ele não consegue fechar o zíper do casaco. E isso vale mesmo que seja uma indireta ou um comentário sem alvo definido.

Eu já conheci pessoas maravilhosas que têm tanta habilidade com textos quanto eu tenho com uma britadeira. E o que mais me dói é que isso é extremamente embaraçoso para elas. Minha avozinha linda, por exemplo, nunca respondeu nenhuma das cartas que eu mandei, porque ela morre de vergonha de ser semi-analfabeta. Mal sabe ela que eu ia amar até se ela me mandasse um coração desenhado num guardanapo. O que são um monte de rabiscos, perto de todas as rezas que ela já fez para mim na vida?

Essas pessoas sempre fizeram parte da nossa vida e tentaram esconder o fato de não dominarem a língua como nós (sem duplo sentido, please). Mas agora a geração mais nova delas ganhou um computador, no qual se pode perguntar e errar sem que ninguém veja e julgue. Essas pessoas podem entrar no Google no quarto delas e aprender, clique após clique, o que seus pais não tinham coragem de perguntar. Elas provavelmente são a primeira geração da família que pode opinar entre as pessoas “relevantes”, seja contra a corrupção no Senado ou seja a favor do corte de cabelo do Justin Bieber.

A gente pode até criticar quem trocou “s” com “c”. Mas temos que saber que essa cutucada é feita de um plano muito privilegiado em relação a quem recebe, e pode acabar se transformando num soco na barriga. E de estômago revirado aqui, basta o meu.

Estou viciada no Papo de Homem. E um portal feito inicialmente para atender ao público masculino, mas que acaba trazendo assuntos que são do interesse de todos, como mente e meditação.

Num dos últimos posts eles soltaram um vídeo com o Henrique Leme, um cara que ficou dois anos em retiro de meditação com mais duas pessoas. Ao contrário de outros expoentes do budismo, ele não usa túnicas cor de açafrão, mas roupas como a nossas. Essa postura de abertura e humildade se reflete ao longo de todo o vídeo. Vale muito a pena ver até o fim.

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