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Você já se perguntou porque os objetos e móveis hoje em dia duram tão pouco? Já se foi o tempo em que minha mãe dizia: essa geladeira tem mais de 20 anos, nós compramos quando nos casamos. Ou: esse conjunto de cadeiras foi da minha avó. Os objetos hoje em dia não parecem durar o mesmo tanto.

Será que isso tem um motivo?

Acertou quem disse sim. Com vocês, a Obsolescência Programada:

Para quem ficou com preguiça de ver o vídeo (vale muito a pena), eu explico. A Obsolescência Programada nada mais é do que uma tática comercial muito engenhosa. No começo do século XX, os fabricantes perceberam que quanto menos durava um produto, mais produtos as pessoas teriam que comprar para repor o que estragou. E mais produtos vendidos significa mais lucro. Falando em números fictícios, eles perceberam que era mais vantajoso comercialmente vender em um ano duas lâmpadas que durassem seis meses do que uma que durasse 12 meses. Entenderam a jogada?

Não sou eu que estou inventando isso. Vocês podem conferir com especialistas de uns cinco países diferentes no vídeo e em outras fontes. O fato é que as coisas não passaram a durar menos por acaso. Elas foram projetadas para durar menos. Os efeitos nocivos são óbvios. Mais coisas compradas, mais coisas descartadas = mais lixo e menos recursos naturais. Estamos nessa ladainha há décadas. Sem falar no fator alienante de se sentir um robozinho comandado pela indústria.

A saída para essa cilada? Tomar consciência do problema já é um primeiro passo. Um segundo é começar a pensar em consertar as coisas ao invés de comprar novas, como faz o cara de Barcelona com a impressora. Quer saber mais? Deixa de preguiça e assista ao vídeo.

Certo dia, lá pelos anos 50, meu avô chegou em casa com uma novidade. Ele havia comprado de um colega de trabalho uma tal de “matéria plástica”, uma espécie de pano impermeável que você colocava nas costas para não molhar na chuva. Meu pai, ainda criança, ficou maravilhado, assim como os vizinhos. Aquilo resolvia um problema frequente: o de ter que trabalhar na lavoura debaixo da chuva e voltar para casa encharcado.

A descoberta era apenas um pedaço de plástico, que hoje passaria batido como um saco de lixo comum. Mas na época, para quem morava numa roça simples no interior de Minas Gerais, aquilo era ouro. Sessenta anos depois, é impossível passar uma hora sequer sem ver um pedaço de plástico na sua frente. É só você olhar ao redor. O computador no qual você lê este texto? Boa parte de plástico. A caneta? De plástico. A cadeira que você está sentado? Componentes de plástico. Seus sapatos, cartões de crédito, celular, relógios, boa parte dos objetos do nosso dia-a-dia são feitos inteiramente ou em parte desse material.

Com tanta abundância, o plástico não tem lá mais muito valor. Tanto que o maior destino dele é aterro, geralmente dentro de um saco de lixo, feito de – adivinha? Isso se for um objeto de sorte. Muitos produtos acabam indo parar na rua mesmo. Daí para o esgoto ou para um rio. De ambas as formas, o destino final é quase certo: o mar. O acúmulo desse material no oceano Pacífico é tão grande, que as correntes marítimas acabaram concentrando o lixo em um ponto e formando uma verdadeira “Ilha de Plástico“.*

Aí é que está outro problema: sabe aquele pedaço de “matéria plástica” que meu avô levou para casa nos anos 50? Ela ainda existe, em algum lugar. Seja num lixão, no meio do mato ou no mar, ela está lá, intacta. Isso porque não são 100 anos que vão fazer um material desse se decompor naturalmente e desaparecer. Portanto, se contarmos a invenção do plástico a partir do Nylon, lá pelos anos 30, é razoável se pensar que todo o plástico já produzido no mundo ainda está na natureza.

Esse assunto me veio a tona hoje depois de assistir esse videozinho abaixo, no fantástico blog Colossal. Está em inglês, mas as imagens são bem ilustrativas. Richard Lang e Judith Selby Lang passam os dias recolhendo pequenos objetos de plástico que encontram na praia perto de onde moram, no norte da Califórnia (EUA). Juntaram tanto material que começaram a fazer obras de arte com aquela matéria-prima de todas as cores.

One Plastic Beach from High Beam Media on Vimeo.

Essa história serve para repensarmos uma coisa: o plástico que jogamos fora todos os dias – é lixo? Ou será que são recursos valiosos da natureza que foram transformados pelo homem e que agora não têm mais valor para nós simplesmente porque o vemos como descartáveis? Como diz Richard: “O contrário da beleza não é o feio. O contrário da beleza é a indiferença”.

*Se você sabe inglês e quer saber mais sobre esse assunto, vale a pena ver a palestra do biólogo Charles Moore, o descobridor da ilha de lixo no Pacífico.

Hole*

Um dia o vazio se materializou na forma de uma pessoa. Era Pedro, o vazio com um nome. Descobriu que era oco naquelas tardes quentes em que o vento sopra devagar. Pois a brisa soprou sobre ele, e através dele passou. Foi assim que ele descobriu que estava destinado a não-ser.

As coisas que ele mais gostava de fazer eram, nessa ordem: dormir, ficar parado debaixo do chuveiro sentindo a água quente escorrer-lhe pelos ombros, e viajar por longas horas dentro de um carro ou de um ônibus. Apreciava por que eram não-fazeres, não-atividades. Eram momentos em que ele podia fazer nada sem ser cobrado, justamente porque eram horas convencionadas à espera. E Pedro vivia à espera.

Gostava de ler, mas isso não o tornava mais sábio, nem mais preenchido. É porque sendo feito de vazio, não havia nada nele que segurasse conhecimento, afeto ou lembrança. Assim, Pedro não se afeiçoava a ninguém, e nem sofria. Não retinha sentimentos, assim como não retinha sucessos em sua vida.

Pedro perdeu sua virgindade numa noite sem calor. Depois não a viu mais por muito tempo.

Podia se dizer que ele era um preguiçoso, mas ele preferia pensar que era um gosto pessoal.

Na escola, ele fazia o que lhe era dito. Não tinha idéias novas, nem era cobrado por isso. Ninguém esperava nada novo dele. Mas Pedro foi crescendo e os tempos mudaram. Chegou a hora em que os pais o chamaram num canto e começaram a falar de coisas com as quais ele não tinha tido contato até então: trabalho, sustento, independência. Até o momento Pedro se levantava e a comida estava na mesa, tomava banho e a roupa estava esperando por ele, pedia dinheiro e lhe era dado. Agora exigiam de Pedro que conseguisse o seu próprio dinheiro, arrmasse sua própria cama, fizesse sua própria comida.

Fazer coisas. Era algo com o qual ele não estava acostumado. Não podia simplesmente passar a existência em branco? Por que a sociedade exigia tanto dele? Ele só queria não-ser. Pedro pensou: o que aconteceria se ele se recusasse a ser alguma coisa? Não lhe ocorreu idéia alguma.

*Este conto foi escrito originalmente em setembro de 2008

A Marina, psicóloga de 27 anos, uma pessoa como eu e você, resolveu tentar esse desafio. Ela montou o blog Um Ano Sem Compras pra registrar a epopeia. É claro que tem regras e excessões. Ela ainda pode comprar comida, artigos de higiene e remédios, mas mesmo assim o desafio é grande. Suspiro só de pensar em ficar um ano sem comprar roupas, como fez a Jojo do Um Ano Sem Zara.

O objetivo disso tudo é refletir sobre o consumo e sobre o que julgamos ser necessário ou supérfluo. Por exemplo: eu amo comprar plantas mas… preciso mesmo de mais uma em casa? Em tempos de consumo desenfreado e propagandas onipresentes, pode ser uma boa pedida.

Fica a dica.

Clique na imagem para ir ao blog

Ps: Quer saber mais sobre consumo consciente? Dá uma olhada no site do Instituto Akatu.

Ps2: Créditos para o blog da Lu Monte, no qual eu vi essa dica.

Diálogo no táxi:

Taxista: Eu tô com uma conta aqui, mas não vai dar tempo de passar no banco pra pagar
Eu: ?
Tx: Aí eu te dou ela, você paga, e depois eu te dou o dinheiro
Eu: Acho que não vou passar por nenhum banco…
Tx: É coisa pouca, R$ 160.
Eu: Não… Eu nem tenho esse dinheiro
Tx: Então você quebra esse galho pra mim?
Eu: Me desculpe moço, não vai dar não!

Até que me atinei: ele falava com a mulher dele no celular!
Climão até o fim da corrida.

Depois que eu publiquei aquele texto enorme com as minhas impressões sobre a crise na Grécia, recebi um comentário muito interessante. Trata-se de duas cartas, uma de um alemão e uma de um grego, sobre a União Europeia e as dificuldades financeiras. As palavras falam por si só:

Leia até o fim esta resposta de um grego a uma carta enviada para a revista Stern escrita por um alemão que se sente ofendido com o “estilo de vida” grego. Traduzida por Sérgio Ribeiro, via Aventar.

“Há algum tempo, foi publicada , na revista, uma “carta aberta” de um cidadão alemão, Walter Wuelleenweber, dirigida a “caros gregos”, com um título e sub-título:

 

Depois da Alemanha ter tido de salvar os bancos, agora tem de salvar também a Grécia os gregos, que primeiros fizeram alquimias com o euro, agora, em vez de fazerem economias, fazem greves

Caros gregos, Desde 1981 pertencemos à mesma família. Nós, os alemães, contribuímos como ninguém mais para um Fundo comum, com mais de 200 mil milhões de euros, enquanto a Grécia recebeu cerca de 100 mil milhões dessa verba, ou seja a maior parcela per capita de qualquer outro povo da U.E. Nunca nenhum povo até agora ajudou tanto outro povo e durante tanto tempo. Vocês são, sinceramente, os amigos mais caros que nós temos. O caso é que não só se enganam a vocês mesmos, como nos enganam a nós. No essencial, vocês nunca mostraram ser merecedores do nosso Euro. Desde a sua incorporação como moeda da Grécia, nunca conseguiram, até agora, cumprir os critérios de estabilidade. Dentro da U.E., são o povo que mais gasta em bens de consumo.

Vocês descobriram a democracia, por isso devem saber que se governa através da vontade do povo, que é, no fundo, quem tem a responsabilidade. Não digam, por isso, que só os políticos têm a responsabilidade do desastre. Ninguém vos obrigou a durante anos fugir aos impostos, a opor-se a qualquer política coerente para reduzir os gastos públicos e ninguém vos obrigou a eleger os governantes que têm tido e têm. Os gregos são quem nos mostrou o caminho da Democracia, da Filosofia e dos primeiros conhecimentos da Economia Nacional. Mas, agora, mostram-nos um caminho errado. E chegaram onde chegaram, não vão mais adiante!!!

 

Na semana seguinte, o Stern publicou uma carta aberta de um grego, dirigida a Wuelleenweber:

 

Caro Walter,

Chamo-me Georgios Psomás. Sou funcionário público e não “empregado público” como, depreciativamente, como insulto, se referem a nós os meus compatriotas e os teus compatriotas. O meu salário é de 1.000 euros. Por mês, hem!… não vás pensar que por dia, como te querem fazer crer no teu País. Repara que ganho um número que nem sequer é inferior em 1.000 euros ao teu, que é de vários milhares. Desde 1981, tens razão, estamos na mesma família. Só que nós vos concedemos, em exclusividade, um montão de privilégios, como serem os principais fornecedores do povo grego de tecnologia, armas, infraestruturas (duas autoestradas e dois aeroportos internacionais), telecomunicações, produtos de consumo, automóveis, etc.. Se me esqueço de alguma coisa, desculpa.

Chamo-te a atenção para o facto de sermos, dentro da U.E., os maiores importadores de produtos de consumo que são fabricados nas fábricas alemãs. A verdade é que não responsabilizamos apenas os nossos políticos pelo desastre da Grécia. Para ele contribuíram muito algumas grandes empresas alemãs, as que pagaram enormes “comissões” aos nossos políticos para terem contratos, para nos venderem de tudo, e uns quantos submarinos fora de uso, que postos no mar, continuam tombados de costas para o ar. Sei que ainda não dás crédito ao que te escrevo. Tem paciência, espera, lê toda a carta, e se não conseguir convencer-te, autorizo-te a que me expulses da Eurozona, esse lugar de VERDADE, de PROSPERIDADE, da JUSTIÇA e do CORRECTO.

Estimado Walter, Passou mais de meio século desde que a 2ª Guerra Mundial terminou. QUER DIZER MAIS DE 50 ANOS desde a época em que a Alemanha deveria ter saldado as suas obrigações para com a Grécia. Estas dívidas, QUE SÓ A ALEMANHA até agora resiste a saldar com a Grécia (Bulgária e Roménia cumpriram, ao pagar as indemnizações estipuladas), e que consistem em:

1. Uma dívida de 80 milhões de marcos alemães por indemnizações, que ficou por pagar da 1ª Guerra Mundial;

2. Dívidas por diferenças de clearing, no período entre-guerras, que ascendem hoje a 593.873.000 dólares EUA.

3. Os empréstimos em obrigações que contraíu o III Reich em nome da Grécia, na ocupação alemã, que ascendem a 3,5 mil milhões de dólares durante todo o período de ocupação.

4. As reparações que deve a Alemanha à Grécia, pelas confiscações, perseguições, execuções e destruições de povoados inteiros, estradas, pontes, linhas férreas, portos, produto do III Reich, e que, segundo o determinado pelos tribunais aliados, ascende a 7,1 mil milhões de dólares, dos quais a Grécia não viu sequer uma nota.

5. As imensuráveis reparações da Alemanha pela morte de 1.125.960 gregos (38,960 executados, 12 mil mortos como dano colateral, 70 mil mortos em combate, 105 mil mortos em campos de concentração na Alemanha, 600 mil mortos de fome, etc., et.).

6. A tremenda e imensurável ofensa moral provocada ao povo grego e aos ideais humanísticos da cultura grega.

Amigo Walter, sei que não te deve agradar nada o que escrevo. Lamento-o. Mas mais me magoa o que a Alemanha quer fazer comigo e com os meus compatriotas. Amigo Walter: na Grécia laboram 130 empresas alemãs, entre as quais se incluem todos os colossos da indústria do teu País, as que têm lucros anuais de 6,5 mil milhões de euros. Muito em breve, se as coisas continuarem assim, não poderei comprar mais produtos alemães porque cada vez tenho menos dinheiro. Eu e os meus compatriotas crescemos sempre com privações, vamos aguentar, não tenhas problema. Podemos viver sem BMW, sem Mercedes, sem Opel, sem Skoda. Deixaremos de comprar produtos do Lidl, do Praktiker, da IKEA. Mas vocês, Walter, como se vão arranjar com os desempregados que esta situação criará, que por ai os vai obrigar a baixar o seu nível de vida, Perder os seus carros de luxo, as suas férias no estrangeiro, as suas excursões sexuais à Tailândia?

Vocês (alemães, suecos, holandeses, e restantes “compatriotas” da Eurozona) pretendem que saíamos da Europa, da Eurozona e não sei mais de onde. Creio firmemente que devemos fazê-lo, para nos salvarmos de uma União que é um bando de especuladores financeiros, uma equipa em que jogamos se consumirmos os produtos que vocês oferecem: empréstimos, bens industriais, bens de consumo, obras faraónicas, etc. E, finalmente, Walter, devemos “acertar” um outro ponto importante, já que vocês também disso são devedores da Grécia: EXIGIMOS QUE NOS DEVOLVAM A CIVILIZAÇÃO QUE NOS ROUBARAM!!! Queremos de volta à Grécia as imortais obras dos nosos antepassados, que estão guardadas nos museus de Berlim, de Munique, de Paris, de Roma e de Londres. E EXIJO QUE SEJA AGORA!! Já que posso morrer de fome, quero morrer ao lado das obras dos meus antepassados.

Cordialmente, Georgios Psomás

O movimento contra a construção da usina de Belo Monte ganhou aliados poderosos: atores globais!

Ei dona Dilma e pessoal do “desenvolvimento acima de tudo”: vocês a acham que podem tudo? O povo pode mais! (tá ok, empolguei)

É a Gota D’ Água +10 from Movimento Gota d’ Agua on Vimeo.

Vale a pena entrar no site Gota D’água e assinar o manifesto.

Também vale conhecer o blog Belo Monte de Violências, do brilhante procurador da República no Pará, Felício Pontes Jr. Por si só esse site já vale outro post.

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