Participação política

Pequeno manual de notícias falsas

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Como saber se uma notícia veiculada na internet é falsa? Com um pouco de conhecimento e as ferramentas certas, é fácil desbaratar qualquer farsa. Basta querer.

Então vamos aos critérios:

1. Qual é a fonte?

Até a assessoria do Senado já deu o recado
Até a assessoria do Senado já deu o recado

A primeira pergunta para saber se uma notícia confiável é: de onde veio? Se você sequer sabe de onde o texto ou a imagem foram tirados, já é um indício de farsa. Se veio da (o) sua (seu) tia/prima/vizinho/amigo de infância, é outro indício de notícia pouco consistente porque, eles, assim como você, não devem ser especialistas no assunto. Blogs e páginas do Facebook das quais você nunca ouviu falar também são suspeitos.
Mas mesmo que as fontes sejam dúbias, isso não necessariamente anula a veracidade de uma notícia. Se algum amigo seu te ligasse no dia 1º de maio de 1994 falando que o Senna morreu, você duvidaria, certo? Qual é a primeira coisa que iria fazer? Ligar a TV para ver o que os jornais estão falando. Como jornalista, eu iria entrar na internet (finge que tinha internet na época) e conferir a capa dos principais portais de notícias. Leia o resto deste post »

O sistema medieval das penitenciárias brasileiras*

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*texto originalmente postado no portal elEconomistaAmerica Brasil

Imagens de cabeças decapitadas, amontoadas no pátio de um presídio, correram as redes sociais e chocaram o mundo na última semana.

Os donos dos corpos já sem vida eram detentos do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, capital do Maranhão, um dos estados mais pobres do Nordeste brasileiro. Os executores eram presos de uma facção rival, e o massacre aconteceu durante uma rebelião no final de 2013.

O vídeo não é o único retrato do caos que tomou conta do sistema carcerário brasileiro. Imagens de um presidiário sendo barbaramente torturado (preservaremos os leitores dos detalhes sórdidos) na mesma penitenciária já rodaram a internet. Relatos de detentos que são obrigados a comer carne crua e beber da própria urina para não morrer de sede também podem ser encontrados em meio às notícias.

Um dos principais motivos desse sistema desumano é a superlotação. No Brasil, 548 mil presos ocupam 310 mil vagas. A matemática e a física indicam que a conta está errada. Mas é isso mesmo. Como o Estado brasileiro prende mais pessoas do que é capaz de administrar, faltam vagas e sobram detentos. Assim, celas em que caberiam seis abrigam mais de 20. Sem cômodos suficientes, delegacias e prisões não raro usam contêineres para abrigar detentos, amontoando pessoas em uma caixa de metal exposta ao sol durante horas. Além de dignidade, falta comida, falta água, faltam estruturas básicas de higiene e, sobretudo, falta segurança.

Por mais estarrecedor que pareça, a opinião de grande parte dos brasileiros, a julgar pelos comentários em sites e redes sociais, é de que o castigo é bem merecido. “Vagabundo tem que sofrer mesmo”, “dignidade é para as famílias das vítimas” e “na hora de roubar e matar ele não teve dó de ninguém” são algumas das frases raivosas que circulam pela internet. A sede de sangue dos brasileiros em relação aos presidiários é tanta que, quando o governo anunciou que a família do preso que tiver contribuído com o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) teria direito a receber o benefício, a indignação tomou conta de parte dos internautas. Em tempo: o auxílio do INSS, pago todos os meses pelo trabalhador, é concedido sempre em casos de desemprego ou afastamento por doença. Ao conceder o benefício às famílias dos detentos que contribuíram com o INSS, o governo tem o objetivo de evitar que os filhos dos mesmos tenham também que recorrer ao crime.

Na sede cega de Justiça, porém, escapa um mínimo de raciocínio lógico. Deixando toda a questão da dignidade humana de lado, digamos que os presos que cometeram crimes bárbaros mereçam esse tipo de tratamento. De início já temos um problema: nem todos os presidiários cometeram crimes bárbaros. O sistema carcerário brasileiro está de tal modo configurado que um ladrão de galinhas pode acabar dividindo a cela com um homicida. Em segundo lugar, não há sequer certeza de que parte dos presidiários seja de fato culpada, sendo que mais de 195 mil são presos provisórios, que muitas vezes ainda aguardam julgamento. Como o judiciário brasileiro também é sobrecarregado, a Justiça é lenta, o que faz com que inocentes passem anos na cadeia.

Além disso, o sistema prisional falha, e muito, em reduzir a criminalidade (partimos do pressuposto de que a diminuição da violência seja um dos objetivos da reclusão, certo?). Isso porque, com o controle deficiente, muitos presos comandam crimes de dentro das próprias penitenciárias. Também estima-se que em torno de 60% dos presidiários venham a cometer novos crimes ao serem soltos. Depois de passar por um regime bárbaro, no qual se recebe penas muito além das quais se foi condenado, o detento que sai da cadeia encontra as portas do mercado de trabalho fechadas. Sem programas de reinserção social e muitas vezes sem a ajuda da família (que também teve que se virar para se manter), ele não vê alternativa a não ser voltar a cometer crimes, muitas vezes com a ajuda de ex-colegas de cela.

Diante de todo esse cenário, denunciado há anos pela própria ONU e por entidades de direitos humanos, as cenas de brutalidade do Complexo Penitenciário de Pedrinhas não são de todo uma surpresa. Afinal, de homens que foram privados de todo tipo de direitos humanos, só podemos esperar um comportamento medieval.

Gritos da Liberdade

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Você, eu, milhares de pessoas sabem os seus motivos para estar nas ruas. Cada um protesta a sua própria maneira e pelas causas que acredita. Embora nem todos concordemos sobre o que deve ou não ser prioridade.

Porém, como em junho, temos um denominador comum: temos o direito de estar nas ruas. Temos o direito de nos manifestarmos. E esse direito tem sido sistematicamente violado através da violência policial.

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De ditadura e autoritarismo

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Tá circulando pela internet uma discussão quentíssima (e esquentadíssima) que rolou em vídeo entre o Rafucko, o Carioca e o Pedro Dória. A conversa é principalmente sobre mídia e o papel dos novos e tradicionais veículos nas manifestações. Acho que os três têm pontos válidos, que os três são excelentes profissionais (acompanho o Dória e o Carioca a algum tempo pra poder dizer), e que essa é uma discussão hiper complexa.

Mas queria chamar a atenção para algo em particular que o Rafucko disse em resposta ao Dória.

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A PM tem que acabar

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A investigação da Promotoria de Justiça confirmou o que a maioria já desconfiava: o servente de pedreiro Amarildo de Souza, pai de seis filhos, arrimo de família, morador da favela da Rocinha e pescador nas horas vagas, foi torturado até a morte por policiais da Unidade de Polícia supostamente Pacificadora. Portador de epilepsia, ele não resistiu aos choques elétricos que se seguiram à tortura com o saco plástico. Seu corpo foi ocultado pelos policiais, que disseram que ele havia deixado a unidade a pé.

Eu gostaria de estar surpresa. Eu gostaria de estar chocada. Mas infelizmente esse cenário não é exatamente novo. Que a PM tortura e mata pobres na favela, todo mundo já sabia. Por quê então não fizemos nada???

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O que raios é embargo infringente

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Pizza na Justiça?

Antes que o assunto se esgote (se é que isso vai acontecer um dia), uma palavra sobre a decisão do STF de aceitar os recursos de alguns dos réus do mensalão.

De ambos os lados eu tenho visto argumentos um pouco passionais demais (pra não dizer histéricos às vezes). Tanto quanto do grupo que odeia o Lula e o PT, e acham que eles foram os criadores da corrupção no Brasil e tanto quanto de gente que foi-esquerda-toda-vida e não suporta ver o Partido dos Trabalhadores virar vidraça. No meio do tiroteio partidário acabaram esquecendo de checar com quem realmente é responsável pela situação: as leis, a Constituição, a Justiça.

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Lista de movimentos da revolução

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Pessoal, estamos fazendo um levantamento dos movimentos, coletivos e páginas surgidos no último junho. Quem souber de outros nomes, deixe nos comentários que eu atualizo, ok? Se desejarem, copiem o lista e compartilhem.
Clicando sobre os nomes vocês serão direcionados para a página de cada coletivo.

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