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De ditadura e autoritarismo

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Tá circulando pela internet uma discussão quentíssima (e esquentadíssima) que rolou em vídeo entre o Rafucko, o Carioca e o Pedro Dória. A conversa é principalmente sobre mídia e o papel dos novos e tradicionais veículos nas manifestações. Acho que os três têm pontos válidos, que os três são excelentes profissionais (acompanho o Dória e o Carioca a algum tempo pra poder dizer), e que essa é uma discussão hiper complexa.

Mas queria chamar a atenção para algo em particular que o Rafucko disse em resposta ao Dória.

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De plurais e singulares

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no Flickr por sAeroZar

Muita gente deve ter a acompanhado a polêmica em torno do livro do Programa Nacional do Livro Didático que afirma que o aluno pode falar “nóis vai”. A história deixou metade dos linguistas de cabelo em pé, e o tratamento da mídia sobre o tema tratou de arrepiar o restante dos teóricos. Pois bem, depois de muito ler em revistas, portais e blogs e dar pitaco em algumas discussões, decidi fazer meu próprio post.

Em primeiro lugar, vale a pena dar uma lida na nota divulgada pela ONG Ação Educativa, responsável pelo material. É uma instituição séria, que há anos se dedica ao tema da educação. Portanto, o que está no livro não foi inventado do dia para a noite, foi fruto de muito estudo e debate.

Em segundo lugar, vale a pena ler o capítulo inteiro do livro. Desde o primeiro parágrafo fica claro que a mensagem ali é de respeito pela norma culta da língua. Em nenhum momento se diz que é preconceituoso conjugar os verbos corretamente. Em nenhum momento se diz que o aluno deve abandonar o português ensinado nas escolas e passar a escrever do jeito que se fala no mercado. O que o livro difunde é justamente que existem vários modos de se expressar, e não podemos banir nenhum deles. Que também não temos o direito de menosprezar uma pessoa porque ela combina plural com singular. Que sequer temos o direito de tentar impor o nosso modo de falar a ela.

No incío, não consegui entender o porquê da polêmica. Afinal, eu sempre aprendi na escola que existem dois modos de falar: o padrão culto, que tenta manter a regra intacta, e a variante popular, que muda o tempo todo. Como duas forças atuando em direções contrárias, sem serem necessariamente boas ou más. Independente do que os livros didáticos dissessem, foi isso que meus professores procuraram me passar. Ninguém nunca ficou martelando na minha cabeça como é abominável falar “nós vai”. E até que eu não me saí tão mal desse ensino. Cometo minhas dissonâncias gramaticais de vez em quando (ainda mais considerando que edito 40 mil caracteres por dia), mas no final consigo até ganhar a vida com o meu português (e adoto a norma culta na escrita e na fala, mas não torço o nariz para o português coloquial quando ele é intencional).

Em um dos debates sobre o tema, eu usei o seguinte argumento (linguistas e historiadores de plantão, se eu estiver falando asneira, me corrijam): quem somos nós para exigir o português correto, se a nossa própria língua provém de uma variação popular de outras? O português não passaria de uma versão “errada” do latim? Então, que preciosismo é esse? Será que daqui a séculos algumas regras não serão modificadas, e nossos teóricos não estarão se arrepiando quando alguém insistir em fazer conjulgar o sujeito e o verbo?

E até me arrisco em algumas reflexões: 1. será que não existe um fundo de preconceito social nessa questão? Por que abominamos tanto a fala fora da norma culta? 2. Será que não está aí falando, mais uma vez, o nosso medo de mudar? A eterna tentativa de permanecer no confortável, no conhecido?

Para quem quiser ler mais sobre o assunto, eu recomendo:

Nota dos responsáveis pelo material

Íntegra do capítulo em questão

MEC descarta regra do “jeito certo” de falar desde 1997

Artigo da Eliane Brum

Artigo da Lu Monte

Ps: recomendo fortemente o texto da Eliane Brum. E me dei a liberdade de extrair um trechinho que adiciona mais à discussão:

“Acreditar que a linguagem popular (ou “variante popular” ou “norma popular”) é dizer coisas toscas como “os livro” pode significar subestimar a riqueza e a diversidade de expressão do povo. Sempre lamentei que as pessoas que me contavam suas histórias não tivessem tido acesso à escola, devido à abissal desigualdade do Brasil, para que não precisassem de mim para transformar em escrita as belas construções, os achados de linguagem que saíam de sua boca. Nada a ver com “os livro”. Posso estar errada, mas me arrisco a afirmar que o povo brasileiro é muito melhor do que isso.”

É essa mulher que sabe das coisas, gente. Eu só estou tentando juntar minhas migalhas.

A decisão do STF sobre a Ficha Limpa

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Antes que o assunto fique velho, consegui descobrir o artigo da Constituição Federal no qual se baseou a decisão do Supremo Tribunal Federal de invalidar a lei da Ficha Limpa para as eleições de 2010. É o artigo 16º:

Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência”

Dá para ser mais claro? A Ficha Limpa foi aprovada em julho de 2010. Portanto, só valerá para as eleições que acontecerem depois de julho deste ano.

Antes de culpar a nossa Justiça, é necessário conhecimento. Eu confesso, também xinguei o ministro Fux. Tento me redimir aqui. Afinal, Constituição que é Constituição se aplica em qualquer caso, com boa ou má repercussão.

Desculpem o arroubo de jusprudência.

Ps1: Constituição Federal, sua LINDA!

Ps2: Terrível admitir, mas o Jader Barbalho tinha razão. Pelo menos em parte.

Ps3: Descobri tudo isso graças ao Túlio Viana, professor de Direito e blogueiro. Recomendo o Twitter dele, para quem gosta do assunto.

Para ajudar quem ajuda

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Já falei aqui antes do Gatoca, com o qual sou eternamente apaixonada. Para quem gosta de gatos, pode apostar: Bia Levischi fala desses animais como ninguém. E como ela tem uma casa com jardim e mais de dois cômodos, pode ajudar também alguns animais que são despejados por aí como se fossem lixo.

A ideia é acolher gatinhos que vivem nas ruas, tratá-los (vacinar, castrar, vermifugar, alimentar com carinho e amor até o bichinho ficar forte de novo) e encontrar um lar perfeito para o mesmo, como aquelas famílias de comercial de margarina, onde o bichano rolará feliz para o resto da vida.

Exmplos de transformação e histórias com finais felizes não faltam, como a da Lily e da Bolota (lembra dela aqui?).

Acontece que caridade e boa intenção (ainda) não são de graça nesse mundo em que vivemos, e para cobrir as despesas, são traçadas diversas estratégias. Um delas é a rifa deste arranhador bacanão e de um relógio que é uma gracinha.

Funciona assim: você escolhe o nome de um bigode famoso entre os que ainda estão disponíveis. Cada um custa R$ 10. Você pode pagar via Banco do Brasil:

BB
Beatriz Levischi
Ag: 1561-X
C/c: 6830905-8

Ou Itaú:

Itaú
Textrina
Ag: 0185
C/c: 08360-7

Depois disso é só mandar um e-mail para bialevischi@yahoo.com.br com essas informações:

* Nome completo (o seu!)
* E-mail
* Telefone
* Bigode(s) famoso(s) escolhido(s)
* Data, hora, valor do depósito e banco

Feito isto, espere o resultado do sorteio de dedos cruzados.

Ah, e se tiver procurando um companheiro ideal, o Jacob está esperando uma família de comercial de margarina.

Luluzinha Camp 2010

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E o LuluzinhaCamp 2010 já tem data e lugar para acontecer!

Post do blog oficial:

Três anos! Parece que foi ontem que a gente se reuniu pela primeira vez. Éramos 70 mulheres, enfiadas no Espaço Gafanhoto – que morreu, tadinho – com mil assuntos. Como disse a Srta. Bia outro dia, por e-mail: “o LuluzinhaCamp é o grupo onde posso fazer minha unha enquanto converso sobre Ficha Limpa, tuito uma receita de brigadeiro e protesto contra feminicídios.”

Para comemorar o terceiro ano de vida do grupo – e a chegada das mulheres catarinenses, que fizeram o seu primeiro encontro em junho – nos reuniremos ao vivo e a cores na Casa Bartira, um lugar mais que bacana indicado pela querida Letícia.

O que teremos (por enquanto):

  1. Oficina de Tsurus – vamos dobrar mil tsurus (garças) em favor da auto-estima da mulher. Coisa de todo mundo sentar e dobrar papeis e a gente fazer um móbile gigante com mil tsurus pela igualdade de gênero.
  2. Uma roda de discussão sobre a educação de nossas crianças. Desempenhamos um papel fundamental na orientação de nossas crianças frente a todas as novidades tecnológicas. Redes sociais não são playground. Mas estão sendo tratadas como.
  3. Oficina expressa de WordPress – 20 vagas.

Cada inscrita tem que levar:

  • Sua caneca
  • Um prato de comida (doce ou salgado)
  • Bebida – suco, refrigerante, água, água de coco… você decide
  • A doação para o projeto social que ainda iremos escolher (fiquem ligadas)

Serviço:
LuluzinhaCamp 2010
Casa Bartira: Rua Bartira, 625, entre a PUC-SP e Avenida Sumaré – São Paulo – SP
dia 18 de setembro, das 13h às 19h
Inscreva-se! (valor: R$25,00)

Social Media Day em BH – é hoje!

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Passando correndo e super em cima da hora pra avisar do Social Media Day em BH.

Só deu tempo de reproduzir o post da Clarice Maia:

Até onde sabemos, não existe um Social Media Day. Mas achamos que devia ter.

é assim que o portal mashable inicia o post em que propõe o dia 30 de junho para a organização de encontros em diversas cidades ao redor do mundo para celebrar um dia da mídia social.

usando a ferramenta meetup everywhere, o pessoal do mashable organizou encontros nas cidades em que tinha pessoal e convidou interessados a organizar nas demais cidades também. no momento em que escrevo, o mapa aponta para 596 encontros em 92 países, envolvendo 9.605 pessoas. uau!

social media day em BH

aí que eu fui lá no mapinha e procurei por belo horizonte. tinham dois interessados e ninguém organizando. como um dos interessados era o @criticarbh, que não conheço pessoalmente ainda mas sigo no twitter e no facebook, fui atrás dele e propus de fazermos um, na tora. não temos grana, não temos um lugar fechado pro evento, não temos palestrantes, não temos brindes e temos menos de 24 horas pra organizar, mas acreditamos que um encontro informal de pessoas animadas para trocar ideias em uma mesa de bar é A CARA de belo horizonte.

portanto, seja você profissional, usuário ou amante das mídias sociais, você está convidado para vir celebrar concosco o 1º #smdayBH, que será descontraidamente realizado na quarta, dia 30/06, a partir das 19h, na baiana do acarajé 2 (av. antônio de albuquerque, 440, savassi).

venha e chame seus amigos!

O manifesto de José Saramago

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José Saramago nunca me respondeu o e-mail no qual eu pedia autorização para reproduzir o texto abaixo, escrito em seu blog em 28 de outubro de 2008. Muito tempo se passou e eu pensei: o escritor me processaria por divulgar suas ideias? Ainda mais um texto no qual se exalta a distribuição de riquezas, me levaria a um processo por querer a difusão do conhecimento?

Me arrisco aqui. E penso que mesmo velho – pelo menos para fins jornalísticos –  esse manifesto ainda pode gerar boas reflexões.

Terá o autor a mesma opinião de quase dois anos atrás? Fica a dúvida.

“Novo capitalismo?”

Chegou o momento da mudança à escala pública e individual. Chegou o momento da justiça.

A crise financeira aí está de novo destroçando as nossas economias, desferindo duros golpes nas nossas vidas. Na última década, os seus abanões têm sido cada vez mais frequente e dramáticos. Ásia Oriental, Argentina, Turquia, Brasil, Rússia, a hecatombe da Nova Economia, provam que não se trata de acidentes conjunturais fortuitos que acontecem na superfície da vida económica mas que estão inscritos no próprio coração do sistema.

Essas rupturas, que acabaram produzindo uma contracção funesta da vida económica actual, com o argumento do desemprego e da generalização da desigualdade, assinalam a quebra do capitalismo financeiro e significam o definitivo ancilosamento da ordem económica mundial em que vivemos. Há, pois, que transformá-lo radicalmente.

Na entrevista com o presidente Bush, Durão Barroso, Presidente da Comissão Europeia, declarou que a presente crise deve conduzir a uma “nova ordem económica mundial”, o que é aceitável, se esta nova ordem se orientar pelos princípios democráticos – que nunca deveriam ter sido abandonados – da justiça, liberdade, igualdade e solidariedade.

As “leis do mercado” conduziram a uma situação caótica que levou a um “resgate” de milhares de milhões de dólares, de tal modo que, como se referiu acertadamente, “se privatizaram os ganhos e se nacionalizaram as perdas”. Encontraram ajuda para os culpados e não para as vítimas. Esta é uma ocasião única para redefinir o sistema económico mundial a favor da justiça social.

Não havia dinheiro para os fundos de combate à SIDA, nem de apoio para a alimentação no mundo… e afinal, num autêntico turbilhão financeiro, acontece que havia fundos para que não se arruinassem aqueles mesmos que, favorecendo excessivamente as bolhas informáticas e imobiliárias, arruinaram o edifício económico mundial da “globalização”.

Por isto é totalmente errado que o Presidente Sarkozy tenha falado sobre a realização de todos estes esforços a cargo dos contribuintes “para um novo capitalismo”!… e que o Presidente Bush, como dele seria de esperar, tenha concordado que deve salvaguardar-se “a liberdade de mercado” (sem que desapareçam os subsídios agrícolas!)…

Não: agora devemos ser resgatados, os cidadãos, favorecendo com rapidez e valentia a transição de uma economia de guerra para uma economia de desenvolvimento global, em que essa vergonha colectiva do investimento de três mil milhões de dólares por dia em armas, ao mesmo tempo que morrem de fome mais de 60 mil pessoas, seja superada. Uma economia de desenvolvimento que elimine a abusiva exploração dos recursos naturais que tem lugar na actualidade (petróleo, gás, minerais, carvão) e que faça com que se apliquem normas vigiadas por uma Nações Unidas refundadas – que envolvam o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial “para a  reconstrução e desenvolvimento” e a Organização Mundial de Comércio, que não seja um clube privado de nações, mas sim uma instituição da ONU – que disponham dos meios pessoais, humanos e técnicos necessários para exercer a sua autoridade jurídica e ética de forma eficaz.

Investimento nas energias renováveis, na produção de alimentos (agricultura e aquicultura), na obtenção e condução de água, na saúde, educação, habitação… para que a “nova ordem económica” seja, por fim, democrática e beneficie as pessoas. O engano da globalização e da economia de mercado deve terminar! A sociedade civil já não será um espectador resignado e, se necessário for, utilizará todo o poder de cidadania que hoje, com as modernas tecnologias de comunicação, possui.

Novo capitalismo? Não!

Chegou o momento da mudança à escala pública e individual. Chegou o momento da justiça.

Federico Mayor Zaragoza
Francisco Altemir
José Saramago
Roberto Savio
Mário Soares
José Vidal Beneyto”