grandes empresas

De ditadura e autoritarismo

Postado em Atualizado em

Tá circulando pela internet uma discussão quentíssima (e esquentadíssima) que rolou em vídeo entre o Rafucko, o Carioca e o Pedro Dória. A conversa é principalmente sobre mídia e o papel dos novos e tradicionais veículos nas manifestações. Acho que os três têm pontos válidos, que os três são excelentes profissionais (acompanho o Dória e o Carioca a algum tempo pra poder dizer), e que essa é uma discussão hiper complexa.

Mas queria chamar a atenção para algo em particular que o Rafucko disse em resposta ao Dória.

Leia o resto deste post »

Apontamentos após a (primeira) vitória das ruas de SP

Postado em Atualizado em

Paulista lotada no dia 18: pressão popular que deu certo
Paulista lotada no dia 18: pressão popular que deu certo

Sobre o rumo das discussões sobre o transporte coletivo:

1. A grande questão agora é quem vai pagar a redução da tarifa.
Permitir que a prefeitura ou o governo do estado tire investimentos de áreas como saúde e educação ou mesmo eleve os impostos para cobrir o gasto é trocar 6 por meia dúzia. É importante que o custo seja reduzido para o cidadão. Hoje, o preço do transporte público é pago por três setores: o governo (prefeitura no caso dos ônibus e estado no caso do metrô), empresas e os passageiros. Cada um entra com uma parte, sendo que hoje a divisão é assim:
10% – empresas
20% – governo
70% – passageiro
É esse equilíbrio que tem que se alterar. Em cidades da Europa, cerca de 60% da passagem é subsidiada pelo governo, o que permite que se tenha um transporte público de qualidade e com custos relativamente baixos. Leia o resto deste post »

Pagando para poluir

Postado em Atualizado em

Quando o mercado de créditos de carbono surgiu, muita gente ficou satisfeita. Afinal, que ideia melhor do que dividir a quantidade total de carbono que podemos emitir em pequenas porções que podem ser trocadas?
Anie Leonard, minha heroína pessoal, lança mão mais uma vez de desenhos fofinhos para explicar porque essa não é uma boa ideia.

Vale a pena ver também:
A história das coisas
A história da crise
Projeto A história das coisas (inglês)

Projetado para estragar – ou porque as coisas não duram mais

Postado em

Você já se perguntou porque os objetos e móveis hoje em dia duram tão pouco? Já se foi o tempo em que minha mãe dizia: essa geladeira tem mais de 20 anos, nós compramos quando nos casamos. Ou: esse conjunto de cadeiras foi da minha avó. Os objetos hoje em dia não parecem durar o mesmo tanto.

Será que isso tem um motivo?

Acertou quem disse sim. Com vocês, a Obsolescência Programada:

Para quem ficou com preguiça de ver o vídeo (vale muito a pena), eu explico. A Obsolescência Programada nada mais é do que uma tática comercial muito engenhosa. No começo do século XX, os fabricantes perceberam que quanto menos durava um produto, mais produtos as pessoas teriam que comprar para repor o que estragou. E mais produtos vendidos significa mais lucro. Falando em números fictícios, eles perceberam que era mais vantajoso comercialmente vender em um ano duas lâmpadas que durassem seis meses do que uma que durasse 12 meses. Entenderam a jogada?

Não sou eu que estou inventando isso. Vocês podem conferir com especialistas de uns cinco países diferentes no vídeo e em outras fontes. O fato é que as coisas não passaram a durar menos por acaso. Elas foram projetadas para durar menos. Os efeitos nocivos são óbvios. Mais coisas compradas, mais coisas descartadas = mais lixo e menos recursos naturais. Estamos nessa ladainha há décadas. Sem falar no fator alienante de se sentir um robozinho comandado pela indústria.

A saída para essa cilada? Tomar consciência do problema já é um primeiro passo. Um segundo é começar a pensar em consertar as coisas ao invés de comprar novas, como faz o cara de Barcelona com a impressora. Quer saber mais? Deixa de preguiça e assista ao vídeo.

Um olhar sobre a crise grega – ou: Sobre números e pessoas

Postado em Atualizado em

Por Barry Yanowitz
Occupy Wall Street

A Grécia está passando um mau bocado. Eu sei que é difícil para nós, que moramos em um país emergente, entender todo fuzuê sobre a crise econômica europeia. Afinal, o salário mínimo grego (que é o menor da Europa), vale cerca de 700 euros, contra uns 250 euros que recebem os trabalhadores brasileiros. Na Itália, quando são demitidos, os trabalhadores têm direito a um bom auxílio por dois anos. Os europeus têm a melhor infraestrutura, os melhores serviços, as melhores habitações. Então do que reclamam? Para mim também foi difícil entender no início. Mas o que está em jogo na Europa não é só um estilo de vida luxuoso.

Há algumas décadas, o Velho Mundo parecia ter atingido o equilíbrio ideal entre políticas sociais e uma sólida economia de mercado. Os países enriqueceram e o povo prosperou. Direitos dos trabalhadores e de minorias foram consolidados. A violência caiu e a expectativa de vida disparou. Mas a crise que abalou a economia americana desde 2008 vem fazendo com que a balança pese para o lado das grandes corporações.

A maioria dos países da zona do euro tem déficit orçamentário, ou seja: gasta mais do que ganha. Qualquer dona de casa sabe que isso significa enfiar a cara nas dívidas. Não deu outra. Quebrados, países como Portugal, Irlanda e Grécia se viram obrigados a pedir empréstimos de emergência. O FMI, o Banco Central Europeu e a União Europeia ajudaram. Mas em troca têm cobrado políticas de austeridade que ajudem a garantir que a dívida dos países será paga sem prejudicar a estabilidade do euro.

by *Bloco
Protesto português

Os governos passaram então a cortar gastos públicos, o que significa cortes de empregos e programas sociais e redução no valor de salários e aposentadorias. Ou seja: várias conquistas que garantem a qualidade de vida dos cidadãos europeus começam a se desfazer. Conversando com um amigo grego, eu perguntei: “mas vocês não têm uma constituição que garanta que esses direitos não possam ser mudados?” Ele disse que estão querendo alterar a lei para permitir que isso seja feito.

Imagine você se, ao invés de aumentar, resolvem reduzir os salários dos professores públicos. Pois é. O caminho é mais ou menos por aí. Se todo mundo estivesse apertando os cintos pelo bem do país, até que daria para aguentar. Mas o que tem deixado as pessoas indignadas é justamente o fato de se estar cobrando da população para se dar aos grandes credores e especuladores (leia-se: bancos e acionistas). E mais: sem nenhum tipo de consulta. É como disse o deputado português do Parlamento Europeu, Miguel Portas, no vídeo abaixo. “Ficou muito claro que foi a dupla de Sarkozy [o presidente francês] e da senhora Merkel [a chanceler alemã], a dupla “Merkozy”, que tomou todas as decisões pelos gregos. E nenhum povo gosta de ser mandado, espezinhado e tratado como se valesse muito menos que os mercados financeiros”.

O resultado? Protestos em massa, é claro. Não só na Grécia, Irlanda e Portugal. Até em Nova York surgiu o movimento “Occupy Wall Street“. Porém, quando o primeiro-ministro grego “teve um momento de sanidade”, como diz Miguel Portas, e convocou um referendo, foi duramente criticado. Diz o deputado: “o que aconteceu na Grécia ao longo desta semana não foi, ao contrário do que muitos comentadores disseram, um atitude absurda e esdrúxula de um primeiro ministro instável e que resolveu propor um referendo num momento de desespero. Jamais um primeiro-ministro proporia ao seu povo um referendo, não fosse o fato de ele se sentir absolutamente entalado entre, por um lado as imposições dos programas de austeridade vindos dos credores e por outro lado um povo que já está muito castigado e indignado”.

by how will i ever
Protesto grego

Ele coloca as coisas de um modo bem claro: “os líderes políticos ouvem todos os dias os mercados financeiros. Acordam todos os dias a saber como estão as bolsas. Mas ai se algum deles quer ouvir o povo!”. Seriam a democracia e o mercado financeiro inconciliáveis?

O pior é que, querendo ou não, a Europa Ocidental é o modelo para o resto do mundo. Nesse momento, esse modelo parece estar tomando uma direção vergonhosa. Vale a pena sacrificar o bem-estar social de alguns países para salvar o euro? Conseguirá o povo – europeu ou não – fazer oposição a essas políticas a ponto de impedí-las?

São cenas dos próximos capítulos.

Vale a pena ver também:

O divórcio entre capitalismo e democracia – Luis Nassif

Infográfico da BBC que explica direitinho

.

Gostou deste post? Leia mais:
Um comentário sobre a crise grega
O manifesto de José Saramago
O fio da história

.

A saga da Ricardo Eletro

Postado em Atualizado em

by elvis_payne, cc on Flickr
Lavando roupa no tempo da avó

Pois bem, depois de muito xingar no twitter reclamar sobre o meu episódio com a Ricardo Eletro eu acabei cancelando a compra e pedindo a mesma máquina de lavar nas Casas Bahia. Até consegui meu dinheiro de volta, mas a história não acaba aí. No meio do processo mandei um e-mail para o Ministério Público de São Paulo (consumidor[arroba]mp.sp.gov.br).

Depois de um tempo, recebi o seguinte e-mail:

“Prezado(a) Senhor(a),

                 Informo a Vossa Senhoria que vosso email com informações sobre práticas da RICARDO ELETRO, foi recebido neste órgão ministerial e registrado como Representação de número em epígrafe. Por ser identificada conexão de objetos, foi juntada ao espelho da Ação Civil Pública nº 583.00.2011.132112-7, feito anterior e ainda em trâmite junto à 35ª Vara Cível Central de São Paulo/SP, que trata do mesmo assunto. O processo é público e poderá ser consultado por qualquer interessado junto ao 35º Ofício Judicial desta Comarca (Fórum João Mendes). Não obstante, foram encaminhadas cópias da referida representação à Central de Inquéritos Policiais e Processos para eventuais providências no âmbito daquela Promotoria de Justiça.”

Ou seja: minha reclamação (e a de muitos outros consumidores juntos) deu resultado. O Ministério Público de São Paulo entrou com uma Ação Civil Pública contra a Ricardo Eletro! A ação é pública e pode ser consultada aqui. Não consegui olhar ainda o que é pedido no processo, mas já posso dizer que o valor da causa é de R$200 mil.

Ressalto aqui (e a própria promotora ressalta no e-mail) que o Ministério Público não vai resolver o meu caso em particular. O MP é um órgão para defender os direitos da sociedade, os direitos coletivos. Como muitas pessoas enviaram suas reclamações para lá, os promotores concluíram que a Ricardo Eletro não só está lesando consumidores individualmente, mas causando um prejuízo para toda a sociedade.  O bacana é isso: a conquista não é só minha.

Quando conseguir entender em que pé está essa ação, conto aqui.

Em tempo: descobri que a coisa tá tão feia que foi criado um blog, o Ricardo Eletro Nunca Mais.
.

Mais posts sobre consumo e os nossos direitos:
Problemas com a Transportadora Americana
Problemas com o Ponto Frio
Por que as coisas duram tão pouco?

.

A Ricardo Eletro e o consumidor palhaço

Postado em Atualizado em

Quem me segue no Twitter ou Facebook já deve estar por dentro da minha peleja com a máquina de lavar da Ricardo Eletro. O problema chegou a tal ponto que me sinto obrigada a comentar o caso aqui.

Flickr by rachelandrew
Eu só quero lavar minhas roupas, moço…

Eis a história:

Comprei uma máquina de lavar na Ricardo Eletro no dia 28 de abril. No ato da compra, fui informada que o produto chegaria em até 13 dias úteis após a confirmação do pagamento. Prazo longo, mas fazer o que? O pagamento foi confirmado no próprio dia 28. No dia 17 de maio, venceu o prazo e nada de entrega (a Ricardo Eletro inclusive me mandou um e-mail falando que o produto já estava na transportadora). Reclamei pelo site, e nada. Então reclamei de novo e prometi “procurar vias mais competentes” para reclamar, caso não me dessem sequer uma resposta automática. Duas horas depois, o que chega? Exatamente uma resposta automática, dizendo que entrarão em contato comigo “em até 72 horas ÚTEIS”.

É piada, né?

Fiz então uma reclamação no site Reclame Aqui. No dia seguinte, havia uma resposta da empresa que começava com “Prezado(a) ROMULO” e terminava dizendo que o produto estava com data de entrega prevista para o dia 30, e era para eu aguardar. Já que o meu nome não é Rômulo, fiquei realmente sem entender. Deixei a reclamação em aberto e disse à empresa que o problema não estava resolvido. Na semana seguinte me liga uma funcionária da Ricardo Eletro e diz a mesma coisa.

Ou seja: demoraram seis dias para me dizer que o produto iria atrasar mais seis dias. Nesse meio tempo pedi informações via e-mail para o Procon (o que eles não responderam) e disse mais uma vez no Reclame Aqui que o meu problema não estava resolvido. Eis que chega o fatídico dia 30. E a máquina chegou? Nãããão!

O pior é que o caso não é só comigo. Uma amiga minha também comprou uma máquina de lavar na Ricardo Eletro. A dela chegou, mas adivinha? Não lavou nem uma leva de roupas. Já pifou. Outro cara do Reclame Aqui comprou um produto no início de abril. Não só deixaram de entregar como, quando ele foi reclamar, tiveram a ousadia de dizer que estavam sem o produto no estoque.

Inclusive, os números da Ricardo Eletro no Reclame Aqui são bem desanimadores:

Ricardo Eletro
Clique na imagem para ampliar

O que eu deveria ter feito antes de comprar era uma pesquisa no Reclame Aqui. Os dados da tabela acima são de 30/05/2011, mas a comparação pode ser acessada aqui.

Amanhã de manhã vou cancelar a compra e pedir meu dinheiro de volta. Por sorte, parcelamos em vários meses no cartão, então podemos suspender o pagamento e, na pior das hipóteses, ficamos com uma parcela de prejuízo. O que me recomendaram fazer, independente de cancelar a compra ou não, é enviar a reclamação para o Ministério Público de São Paulo, através do e-mail: consumidor[arroba]mp.sp.gov.br. Minha mensagem já foi inclusive encaminhada para a Promotoria de Justiça do Consumidor. A tese é a de que se muitos enviarem reclamações, o Ministério Público será obrigado a pedir explicações para a Ricardo Eletro, caso que já aconteceu no Rio.

Além de ficar sem a máquina tenho a sensação de estar sendo feita de boba. A Ricardo Eletro não tem sequer a decência de me comunicar, antes do prazo final, que o produto irá atrasar. E mandar um e-mail falando que vai responder em até 72 horas úteis (cerca de 7 dias úteis) é cúmulo da palhaçada. E o pior: tenho certeza que isso é extremamente calculado, do tipo: “vamos ter que pagar x em processos, mas em compensação vamos economizar 2x em atendimento ao consumidor e no final tudo vai se compensar”. Será que o Ministério Público consegue consertar isso?

Agora, me dêem licença que eu tenho três calças jeans para lavar. Na mão.

Atualização 1:

Descobri que o banco só devolve o dinheiro depois que a Ricardo Eletro confirmar o cancelamento da compra. Que medo.

Atualização 2:

Liguei pra Ricardo Eletro agora de manhã (terça) e (depois de 20 minutos na musiquinha) consegui cancelar o meu pedido. O que a atendente me disse é que o produto vai ser entregue de volta pela transportadora e que a partir da segunda fatura, o dinheiro será devolvido. De acordo com a atendente, mesmo que a máquina não seja entregue de volta pela transportadora, terei meu dinheiro de volta. Ela só pediu que eu não receba o produto.

Apesar disso, é provável que entremos um com recurso no juizado especial para obter o dinheiro de volta em 24hs.

Atualização 3:

O Ministério Público acionou a Ricardo Eletro na Justiça!

.

.

Mais posts sobre consumo e os nossos direitos:
Problemas com a Transportadora Americana
Problemas com o Ponto Frio
Por que as coisas duram tão pouco?

.