A PM tem que acabar

Postado em

A investigação da Promotoria de Justiça confirmou o que a maioria já desconfiava: o servente de pedreiro Amarildo de Souza, pai de seis filhos, arrimo de família, morador da favela da Rocinha e pescador nas horas vagas, foi torturado até a morte por policiais da Unidade de Polícia supostamente Pacificadora. Portador de epilepsia, ele não resistiu aos choques elétricos que se seguiram à tortura com o saco plástico. Seu corpo foi ocultado pelos policiais, que disseram que ele havia deixado a unidade a pé.

Eu gostaria de estar surpresa. Eu gostaria de estar chocada. Mas infelizmente esse cenário não é exatamente novo. Que a PM tortura e mata pobres na favela, todo mundo já sabia. Por quê então não fizemos nada???

A PM que reprime no asfalto é a mesma que mata na favela
A PM que reprime no asfalto é a mesma que mata na favela

No junho passado, a população ficou chocada ao ver policiais abrindo fogo com balas de borracha na cara de cidadãos desarmados. Depois que o furor se abrandou, lentamente um outro bordão começou a surgir: A PM que reprime no asfalto é a mesma que mata na favela. Se para a classe média as balas são de borracha, para os pobres elas são de chumbo. Acompanhadas de choques elétricos e asfixia.

Pouco tempo depois, mais uma notícia “rotineira”: uma operação da PM na favela da Maré, no Rio, deixou 10 mortos. Essa notícia me atingiu como uma bofetada na cara. Além da indignação pelo fato de 10 pessoas terem sido executadas sem nem maiores explicações da polícia, me enjoava o fato de eu nunca ter me indignado com isso antes. Como assim, a PM matou 10 pessoas??? A PM matou 10 pessoas, a PM matou 10 pessoas, eu ficava repetindo para mim mesma, e era como se eu tivesse estado cega esse tempo todo.

Como eu nunca tinha ficado revoltada com as mortes na favela antes? Será que eu tinha presumido que eram sempre traficantes, que tinham morrido em trocas de tiros com a polícia? Era o que a polícia dizia. Essa mesma polícia que atira na cara de pessoas e planta evidências. Eu sabia que a polícia não prestava, eu sabia que as mortes eram injustas, mas isso parecia fazer parte da injustiça padrão do mundo. Eu nunca tinha sentido meu estômago embrulhar e minhas entranhas se torcerem de indignação com isso, da maneira como passei a sentir a partir de então.

Desde então, embarquei na campanha pelo fim da Polícia Militar. Não me entenda mal, não acho que um Estado sem polícia seja viável. O que eu quero é uma polícia 100% civil, uma polícia treinada para resolução de conflitos, e não para a guerra. Uma polícia que trate o cidadão, QUALQUER cidadão, como uma pessoa de direitos, e não como um inimigo na sua batalha pela ordem. E principalmente, quero policiais que sejam monitorados punidos exemplarmente em caso de violência, que sejam julgados pela Justiça comum, não a militar, e que não tenham que obedecer cegamente a uma hierarquia imbecil. Porque vamos combinar: só um estado fascista precisa de militares nas ruas.

É pedir demais? Não. Essa é a causa mais importante desses tempos. O que a PM faz não tem perdão. E não sou só eu que estou falando que a PM tem que acabar. É a ONU. Muito antes de junho, muito antes do Amarildo.

Leia mais:
A polícia de um governo que teme seu povo
Apontamentos de junho
Diálogos em tempos de revolta popular

Um comentário em “A PM tem que acabar

    Kelly disse:
    30.novembro.2013 às 2:22

    Por essas e outras a policia militar tem que acabar

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s