Trânsito

Todos às ruas!

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Precisa falar alguma coisa mais?

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Para entender o que aconteceu no 13 de junho:

E mais:
Do sonho ao vandalismo e à brutalidade (excelente reportagem da ISTOÉ)

24 momentos do 13 de junho que você não vê na TV

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Você precisar de mais argumentos, uma coletânea dos melhores textos:

O pior relato do 13 de junho (policiais deixaram manifestante semi-nua no meio da rua)

Sopro de primavera antes da festa da Fifa

Manifestações de apoio marcadas na Europa

Governo de Minas proíbe manifestações em todo o estado

Milhares já escolheram os sapatos que não vão apertar (sobre a cobertura da mídia)

O lado do policial

Página do evento de hoje em SP (Facebook)

A hora é agora! Se você mora em São Paulo, encontre-nos hoje (17 de junho) no Largo da Batata às 17h. Se você mora em outra cidade, informe-se sobre os protestos que ocorrerão ou organize-os. Se você tiver medo de participar (é normal), coloque um pano branco na janela em solidariedade às vítimas da PM.

Pelo direito a um transporte público de qualidade!

Pelo direito à manifestação sem repressão!

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Por que é bacana parar a Paulista

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Se a tarifa não baixar, olê olê olá/ a cidade vai para-ar!

Oh, wait!

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A cidade já parou, baby

Eu não fui nas manifestações pela redução das tarifas do transporte público que estão acontecendo em São Paulo porque sou uma escrava da informação estava em casa trabalhando. Mesmo assim, acho válido dar a minha contribuição expandindo o tema.

Em primeiro lugar, o que tem dado mais o que falar: o quebra-quebra e as pichações.

Pessoalmente eu não concordo. Acho que a depredação devia ter sido evitada não só pelo estrago, mas principalmente porque quem discorda do movimento fica na ladainha do disco arranhado de “eles são vândalos, eles são vândalos” e a discussão do que realmente importa fica em segundo plano.

Mas como em tudo na vida, existem mais que dois lados da questão, como exemplifica o historiador Idelber Avelar:

Você gosta do seu 13° salário? Sangue pra c****** jorrou para que você o tivesse. Curte as suas férias? Estude História e descubra que elas foram conquistadas na porrada. Acha bacana ter o direito de votar? Muito mais do que janelas foram quebradas para que você o tivesse. É mais que justo ter o direito de se divorciar de alguém com quem você não quer mais viver? Protestos violentos aconteceram para que isso se conquistasse também.

Então, se você acha legal e justo ter 13° salário, férias, divórcio, voto e direito à greve, poupe-nos do mimimi porque meia dúzia de janelas foram quebradas em protesto. Nenhuma das garantias democráticas que você tem hoje foi conquistada sem que algo muito mais violento acontecesse.”

Outra questão no tópico: alguns jornais e sites talvez tenham exagerado ou deliberadamente errado na cobertura e focado só no quebra-quebra. Alguns manifestantes disseram inclusive que foram retratados como vândalos, mesmo tendo agido no sentido de preservar o patrimônio. E há vídeos para provar.

Quando o quebra-quebra é em Paris, é hype! (baderneiros pelo casamento gay na capital francesa)
Quando o quebra-quebra é em Paris, aí é hype! (baderneiros pelo casamento gay na capital francesa)

Superado este ponto, vamos ao que realmente interessa.

As pessoas têm reclamado que ficaram horas paradas por causa das manifestações que fecharam três das principais avenidas de São Paulo e ecoaram no Rio de Janeiro, Natal, Goiânia e Porto Alegre. E sim, eu também fiquei presa no trânsito gerado pela manifestação e perdi a reserva em um restaurante. Mas o raciocínio é o seguinte:

1 – As pessoas reclamaram que ficaram paradas por causa da manifestação e perderam trabalho/compromisso.

2 – Portanto essas pessoas, motoristas ou passageiros de ônibus, se sentem prejudicadas quando o trânsito fica lento.

3 – O trânsito é lento nas cidades grandes, entre outros fatores, por causa da má distribuição dos imóveis e da quantidade de carros nas ruas, sendo que:

4 – Se mais pessoas usassem o transporte público, menos carros haveria nas ruas e o trânsito fluiria melhor, uma vez que 40 pessoas dentro de um ônibus ocupam menos espaço do que 40 carros, sem contar o metrô, que ocupa espaço quase zero no solo. Porém:

5 – Um dos fatores que as pessoas levam em conta ao adotar ou não o meio de transporte público, além de conforto e facilidade de acesso é justamente o PREÇO.

Ou seja: as pessoas estão parando o trânsito hoje para que o trânsito melhore amanhã, para todos, motoristas e passageiros de ônibus. Pare e pense: você não pode dar um dia da sua rotina em prol da melhoria na vida de milhões de pessoas por vários dias???

Entendo que as pessoas coloquem o bem-estar real de si mesmas antes de um bem-estar abstrato de toda a sociedade. Mas que as pessoas prefiram sacrificar um possível bem-estar duradouro no futuro porque querem chegar em casa logo, isso realmente não entra na minha cabeça.

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Como sempre, falaremos mais sobre transporte público. Por enquanto fiquem com estas leituras obrigatórias:

Protestar no Facebook não adianta nada, o negócio é fechar avenida (Carta Capital)

O protesto que eu não vi pela TV (um relato lindo de quem foi na manifestação)

– O preço do ônibus aumentaria se as pessoas se importassem? (reportagem sobre quem paga a conta)

Brasil se levanta en protesta contra el aumento de los precios del transporte (matéria do jornal espanhol El País)

Crônicas da vida real

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Diálogo no táxi:

Taxista: Eu tô com uma conta aqui, mas não vai dar tempo de passar no banco pra pagar
Eu: ?
Tx: Aí eu te dou ela, você paga, e depois eu te dou o dinheiro
Eu: Acho que não vou passar por nenhum banco…
Tx: É coisa pouca, R$ 160.
Eu: Não… Eu nem tenho esse dinheiro
Tx: Então você quebra esse galho pra mim?
Eu: Me desculpe moço, não vai dar não!

Até que me atinei: ele falava com a mulher dele no celular!
Climão até o fim da corrida.

O atropelamento da Massa Crítica

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ATENÇÃO: o vídeo abaixo contém cenas fortes.

Alguns de vocês já devem ter visto o que aconteceu na sexta passada em Porto Alegre. Ciclistas que participavam de um evento foram brutalmente atropelados por um carro, propositalmente. Acima está o melhor vídeo que vi sobre esse assunto, mas já aviso que as cenas são fortes.

Tratava-se de uma manifestação da Massa Crítica, que acontece em várias cidades do mundo uma vez por mês e tem como objetivo gerar reflexão sobre o excesso de automóveis nas grandes cidades. É um movimento pacífico, em sua essência.

Como muitos outros movimentos que não são centralizados ou têm um líder, a Massa Crítica é polêmica. Nunca fui em uma bicicletada, apesar de muito ter desejado ir, mas já ouvi relatos de participantes que hostilizavam motoristas. Algumas pessoas realmente interpretam errado a proposta e vêem os passeios como lugares para o confronto entre ciclistas e motoristas, aproveitando que a fragilidade da bicicleta é superada pela quantidade de ciclistas pedalando juntos.

Mas em nenhum momento, mesmo que tenha havido qualquer tipo de discussão ou ameaça (o que não está claro se teve), nada – mas nada mesmo – justifica um ato desses. Nem um pontapé na porta do carro justifica um ato desses. Nem um copo de mijo no estádio de futebol justifica um ato desses. É literalmente injustificável.

O que me faz ter pena do motorista. Porque ele não vai encontrar nenhuma explicação sobre o evento que possa dar para si mesmo ou para os outros que não vá transformá-lo num monstro. A única saída para salvar o resto de humanidade que resta nele é admitir que teve um acesso de fúria, que – nem que seja por uma fração de segundo – quis sim matar e que usou o carro como um trator para abrir seu caminho sobre aqueles que não julgava dignos de lhe atravancar a passagem. A única saída é, portanto, se admitir um ser irracional, sujeito a comportamentos de puro egoísmo e selvageria. Para salvar o pouco de humanidade que lhe resta, é preciso então se admitir como um ser não-humano.

Mas pelo visto a defesa não vai por aí. Pelo visto a estratégia é alegar outros tipos de sentimento, uma vez que a racionalidade está definitivamente fora de questão. O que eu vi o advogado de defesa afirmar é que o motorista entrou em pânico e pensou que poderia ser linchado. Teria, portanto, medo, que é um sentimento mais aceitável hoje em dia do que a fúria. Afinal, é um dos elementos que mais circula nas grandes cidades, onde pipocam  notícias de crimes violentos e todo desconhecido é tratado como uma ameaça em potencial.

Nesse argumento do medo também entra o da defesa da prole. Afinal, não só a sua vida, mas também a vida de seu filho estaria em jogo. Esse é um argumento que também tem boa aceitação na sociedade, onde a família é vista como uma extensão do eu, e se defender é sinônimo de defender a sua casa. Me faz ter mais pena ainda do sujeito porque, no pior momento de sua vida, naquele no qual ele jogou sua sorte fora em uma fração de segundo, seu filho estava ali ao lado, assistindo tudo de camarote.

Em Porto Alegre está sendo planejada uma grande manifestação nesta terça, pelo fim da violência no trânsito. Espero que esse evento infeliz sirva para despertar as pessoas para o que elas têm se tornado ao se encarcerar nessas grandes armaduras de metal, de concreto, ou mesmo dentro de si mesmas. Espero também que os ciclistas tenham a nobreza de coração de não transformar esse incidente em um marco da batalha entre carros e bicicletas.

Divagações no ponto de táxi

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cc on Flickr by stevecadman
Eu bem que queria entrar num táxi-fusca...

Estava eu lá, na fila de táxi do aeroporto, com uma sacola que cobria bem uns dois terços da minha altura (tá booom, uns dois quintos, vai). Fila gigante, de umas cinquenta pessoas, dessa vez sem exageros.

A coreografia era assim:

Chegava um táxi, o ajudante-de-ponto-de-táxi pegava a mala do primeiro da fila e ia correndo colocar no porta-malas. Uma única pessoa se encaminhava para o interior do veículo e este partia. A fila dava um passinho adiante.

Assim, um sem-número de vezes repetidos, os mesmos movimentos.

E eu lá no finalzinho pensando com meus botões: “ué, o táxi não tem quatro lugares? Se todos os lugares fossem ocupados, a fila andaria 4x mais rápido, teriam 4x menos táxis partindo do aeroporto e os passageiros pagariam 4x menos pela corrida. Não é possível que não existam quatro pessoas que não estejam indo para o mesmo lugar aqui, ou pelo menos para lugares próximos, ou lugares-que-são-caminho uns dos outros”.

Eu, que só tinha R$ 20,00 na carteira e teria que pegar táxi só até o metrô, bem que fiquei com vontade de perguntar pro meu vizinho de fila se ele topava dividir a corrida. Mas fiquei com vergonha. E segui quietinha na fila, imaginando um mundo ideal no qual a divisão de táxis surgiria espontaneamente entre estranhos.

Multa moral

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Vi na revista Vida Simples (que chegou na minha casa esse mês não sei por quê) essa iniciativa bacana.

Lá no bairro Vila Madalena, em São Paulo, o pessoal criou um blog pra mostrar o que está errado e o que precisa melhorar na região, o Árvore da Vila. Em um dos primeiros posts eles criaram a chamada “Multa Moral”.

É uma espécie de talão de multas do cidadão. Toda vez que você vâ alguém estacionar em local proibido, desperdiçar água lavando calçadas e outros atentados à cidadania, pode entregar uma dessas pro sujeito.

clique na imagem para baixar a sua

Diários de Bicicleta #2

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Plano B

crinças também são artistas urbanos
coisas que náo se vê de carro

Minha determinação de trocar o carro pela bicicleta para ir trabalhar foi por água abaixo quando passei a fazer estágio em Contagem. Para quem não mora em BH, basta dizer que Contagem também é chamada de Cidade Industrial. E isso significa muitos quilômetros e dezenas de camihões e ônibus dirigindo a mais de 100 km/h.

Bom, mas não desisti da ideia de cortar meus créditos de carbono no trânsito. Na verdade, descobri que sou mais uma walk person. Gosto mais de andar. Passei a ir para Contagem de ônibus, e deixo o carro em casa todo dia. Mesmo que tenha que pegar uma condução até o centro, para andar até outro ponto e pegar outra, me faz bem caminhar em meio às pessoas.

Também passei a ir a pé pra lugares relativamente perto. Assim, resgatei o prazer de observar a cidade. E pude observar cenas que não veria se estivesse de carro, como a intervenção de uma criança no cenário urbano, que vocês podem ver na foto.