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Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós

Em toda essa guerra no Rio, vi algumas notícias que me emocionaram. Uma delas fala de uma moradora da Vila Penha que entregou um bilhete para a repórter da Globo. Entre agradecimentos aos policiais que expulsaram os traficantes da favela, ela lembra que é dia de Nossa Senhora das Graças e diz: “Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós”.

O sercretrário de Segurança do Estado, José Beltrame, foi entrevistado no Jornal Nacional no qual pediram exemplos positivos de denúncias feitas pela população. O que ele disse foi mais ou menos assim: “Não posso dar detalhes de nenunhma denúncia, sob risco de colocar em perigo os denunciantes. Mas gostaria, depois que isso tudo passar, de abraçar essas pessoas, de parabenizar por essa atitude tão corajosa que possibilitou nossos avanços”.

Já vi pessoas fazendo a associação entre moradores de favela e ladrões, como todos que fossem pobres optassem automaticamente pela criminalidade e o tráfico fosse uma tentação irresistível para quem divide um cômodo por dez pessoas. Mas não é assim. A maior parte dos moradores dos morros é de trabalhadores honestos, que muitas vezes saem de madrugada e deixam os filhos com a vizinha para ir trabalhar 10 horas por dia no asfalto.

Achei bonito esse apoio da população no combate ao tráfico. Me fez pensar que a favela pode ser um mini estado, sob o domínio de um governo tirano, o dos traficantes.  Eles trazem benefícios que o governo da cidade não oferece, mas não há liberdade, exatamente como aconteceu com o golpe militar e o milagre brasileiro. Nem todos são inocentes, mas há vezes em que mesmo quando o Estado guerreia, a nação pede paz.