Consumo

Para quê Oscar?

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“- Por que eu deveria ir ao Oscar? O que é o Oscar, o que querem que aconteça lá? Eu já fui, já vi, não fiquei muito satisfeito, e aí está”.

É assim que o ator argentino Ricardo Darín começa a sua entrevista numa espécie de talk show do seu país, respondendo às críticas por não ter . Eu já o admirava por suas interpretações em Um Conto Chinês, A Dançarina e o Ladrão e Elefante Branco, mas o posicionamento do artista sobre vários assuntos me faz admirá-lo ainda mais. Alguns atores simplesmente são muito mais que talento e rostinho bonito. Têm um conteúdo enorme.

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Onde está o seu lixo?

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Sabe onde vai parar aquela tampinha, aquele lixo inocente que as pessoas jogam na rua?

Ela é carregada por milhares de quilômetros, através de esgotos, rios, mares, oceanos, boiando nas correntes marítimas. E aí, no meio do caminho entre o continente americano e a Ásia, ela para nas praias de uma ilha. A ilha Midway.

E eis o que acontece quando os pássaros da ilha de Midway se encontram com a montanha de lixo que produzimos todos os dias:

O fotógrafo Chris Jordan pretende lançar este ano um documentário sobre a ilha. O vídeo acima é o trailler.

Acho que a gente precisa refletir não só sobre o lixo que a gente joga ou não na rua. Mas sobre o fato de que todo o lixo que produzimos vai para algum lugar. Principalmente o plástico. Dá para imaginar que todo o plástico já produzido e usado no mundo está intacto em algum lugar? (afinal, o material leva mais de um centena de anos para se decompor, mais tempo do que o que passou desde a sua invenção). Aquela tampinha da primeira coca-cola que você tomou, onde está? E aquele celular tijolão que você já teve? Tem componentes de plástico, onde estarão? E aquela boneca ou carrinho, que era o seu favorito? Está num lixão? Flutuando num oceano? Numa ilha?

Via Blog do Tas

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Projetado para estragar – ou porque as coisas não duram mais

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Você já se perguntou porque os objetos e móveis hoje em dia duram tão pouco? Já se foi o tempo em que minha mãe dizia: essa geladeira tem mais de 20 anos, nós compramos quando nos casamos. Ou: esse conjunto de cadeiras foi da minha avó. Os objetos hoje em dia não parecem durar o mesmo tanto.

Será que isso tem um motivo?

Acertou quem disse sim. Com vocês, a Obsolescência Programada:

Para quem ficou com preguiça de ver o vídeo (vale muito a pena), eu explico. A Obsolescência Programada nada mais é do que uma tática comercial muito engenhosa. No começo do século XX, os fabricantes perceberam que quanto menos durava um produto, mais produtos as pessoas teriam que comprar para repor o que estragou. E mais produtos vendidos significa mais lucro. Falando em números fictícios, eles perceberam que era mais vantajoso comercialmente vender em um ano duas lâmpadas que durassem seis meses do que uma que durasse 12 meses. Entenderam a jogada?

Não sou eu que estou inventando isso. Vocês podem conferir com especialistas de uns cinco países diferentes no vídeo e em outras fontes. O fato é que as coisas não passaram a durar menos por acaso. Elas foram projetadas para durar menos. Os efeitos nocivos são óbvios. Mais coisas compradas, mais coisas descartadas = mais lixo e menos recursos naturais. Estamos nessa ladainha há décadas. Sem falar no fator alienante de se sentir um robozinho comandado pela indústria.

A saída para essa cilada? Tomar consciência do problema já é um primeiro passo. Um segundo é começar a pensar em consertar as coisas ao invés de comprar novas, como faz o cara de Barcelona com a impressora. Quer saber mais? Deixa de preguiça e assista ao vídeo.

A praia de plástico

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Certo dia, lá pelos anos 50, meu avô chegou em casa com uma novidade. Ele havia comprado de um colega de trabalho uma tal de “matéria plástica”, uma espécie de pano impermeável que você colocava nas costas para não molhar na chuva. Meu pai, ainda criança, ficou maravilhado, assim como os vizinhos. Aquilo resolvia um problema frequente: o de ter que trabalhar na lavoura debaixo da chuva e voltar para casa encharcado.

A descoberta era apenas um pedaço de plástico, que hoje passaria batido como um saco de lixo comum. Mas na época, para quem morava numa roça simples no interior de Minas Gerais, aquilo era ouro. Sessenta anos depois, é impossível passar uma hora sequer sem ver um pedaço de plástico na sua frente. É só você olhar ao redor. O computador no qual você lê este texto? Boa parte de plástico. A caneta? De plástico. A cadeira que você está sentado? Componentes de plástico. Seus sapatos, cartões de crédito, celular, relógios, boa parte dos objetos do nosso dia-a-dia são feitos inteiramente ou em parte desse material.

Com tanta abundância, o plástico não tem lá mais muito valor. Tanto que o maior destino dele é aterro, geralmente dentro de um saco de lixo, feito de – adivinha? Isso se for um objeto de sorte. Muitos produtos acabam indo parar na rua mesmo. Daí para o esgoto ou para um rio. De ambas as formas, o destino final é quase certo: o mar. O acúmulo desse material no oceano Pacífico é tão grande, que as correntes marítimas acabaram concentrando o lixo em um ponto e formando uma verdadeira “Ilha de Plástico“.*

Aí é que está outro problema: sabe aquele pedaço de “matéria plástica” que meu avô levou para casa nos anos 50? Ela ainda existe, em algum lugar. Seja num lixão, no meio do mato ou no mar, ela está lá, intacta. Isso porque não são 100 anos que vão fazer um material desse se decompor naturalmente e desaparecer. Portanto, se contarmos a invenção do plástico a partir do Nylon, lá pelos anos 30, é razoável se pensar que todo o plástico já produzido no mundo ainda está na natureza.

Esse assunto me veio a tona hoje depois de assistir esse videozinho abaixo, no fantástico blog Colossal. Está em inglês, mas as imagens são bem ilustrativas. Richard Lang e Judith Selby Lang passam os dias recolhendo pequenos objetos de plástico que encontram na praia perto de onde moram, no norte da Califórnia (EUA). Juntaram tanto material que começaram a fazer obras de arte com aquela matéria-prima de todas as cores.

One Plastic Beach from High Beam Media on Vimeo.

Essa história serve para repensarmos uma coisa: o plástico que jogamos fora todos os dias – é lixo? Ou será que são recursos valiosos da natureza que foram transformados pelo homem e que agora não têm mais valor para nós simplesmente porque o vemos como descartáveis? Como diz Richard: “O contrário da beleza não é o feio. O contrário da beleza é a indiferença”.

*Se você sabe inglês e quer saber mais sobre esse assunto, vale a pena ver a palestra do biólogo Charles Moore, o descobridor da ilha de lixo no Pacífico.

Você ficaria um ano sem comprar?

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A Marina, psicóloga de 27 anos, uma pessoa como eu e você, resolveu tentar esse desafio. Ela montou o blog Um Ano Sem Compras pra registrar a epopeia. É claro que tem regras e excessões. Ela ainda pode comprar comida, artigos de higiene e remédios, mas mesmo assim o desafio é grande. Suspiro só de pensar em ficar um ano sem comprar roupas, como fez a Jojo do Um Ano Sem Zara.

O objetivo disso tudo é refletir sobre o consumo e sobre o que julgamos ser necessário ou supérfluo. Por exemplo: eu amo comprar plantas mas… preciso mesmo de mais uma em casa? Em tempos de consumo desenfreado e propagandas onipresentes, pode ser uma boa pedida.

Fica a dica.

Clique na imagem para ir ao blog

Ps: Quer saber mais sobre consumo consciente? Dá uma olhada no site do Instituto Akatu.

Ps2: Créditos para o blog da Lu Monte, no qual eu vi essa dica.

A saga da Ricardo Eletro

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by elvis_payne, cc on Flickr
Lavando roupa no tempo da avó

Pois bem, depois de muito xingar no twitter reclamar sobre o meu episódio com a Ricardo Eletro eu acabei cancelando a compra e pedindo a mesma máquina de lavar nas Casas Bahia. Até consegui meu dinheiro de volta, mas a história não acaba aí. No meio do processo mandei um e-mail para o Ministério Público de São Paulo (consumidor[arroba]mp.sp.gov.br).

Depois de um tempo, recebi o seguinte e-mail:

“Prezado(a) Senhor(a),

                 Informo a Vossa Senhoria que vosso email com informações sobre práticas da RICARDO ELETRO, foi recebido neste órgão ministerial e registrado como Representação de número em epígrafe. Por ser identificada conexão de objetos, foi juntada ao espelho da Ação Civil Pública nº 583.00.2011.132112-7, feito anterior e ainda em trâmite junto à 35ª Vara Cível Central de São Paulo/SP, que trata do mesmo assunto. O processo é público e poderá ser consultado por qualquer interessado junto ao 35º Ofício Judicial desta Comarca (Fórum João Mendes). Não obstante, foram encaminhadas cópias da referida representação à Central de Inquéritos Policiais e Processos para eventuais providências no âmbito daquela Promotoria de Justiça.”

Ou seja: minha reclamação (e a de muitos outros consumidores juntos) deu resultado. O Ministério Público de São Paulo entrou com uma Ação Civil Pública contra a Ricardo Eletro! A ação é pública e pode ser consultada aqui. Não consegui olhar ainda o que é pedido no processo, mas já posso dizer que o valor da causa é de R$200 mil.

Ressalto aqui (e a própria promotora ressalta no e-mail) que o Ministério Público não vai resolver o meu caso em particular. O MP é um órgão para defender os direitos da sociedade, os direitos coletivos. Como muitas pessoas enviaram suas reclamações para lá, os promotores concluíram que a Ricardo Eletro não só está lesando consumidores individualmente, mas causando um prejuízo para toda a sociedade.  O bacana é isso: a conquista não é só minha.

Quando conseguir entender em que pé está essa ação, conto aqui.

Em tempo: descobri que a coisa tá tão feia que foi criado um blog, o Ricardo Eletro Nunca Mais.
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Por que as coisas duram tão pouco?

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A Ricardo Eletro e o consumidor palhaço

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Quem me segue no Twitter ou Facebook já deve estar por dentro da minha peleja com a máquina de lavar da Ricardo Eletro. O problema chegou a tal ponto que me sinto obrigada a comentar o caso aqui.

Flickr by rachelandrew
Eu só quero lavar minhas roupas, moço…

Eis a história:

Comprei uma máquina de lavar na Ricardo Eletro no dia 28 de abril. No ato da compra, fui informada que o produto chegaria em até 13 dias úteis após a confirmação do pagamento. Prazo longo, mas fazer o que? O pagamento foi confirmado no próprio dia 28. No dia 17 de maio, venceu o prazo e nada de entrega (a Ricardo Eletro inclusive me mandou um e-mail falando que o produto já estava na transportadora). Reclamei pelo site, e nada. Então reclamei de novo e prometi “procurar vias mais competentes” para reclamar, caso não me dessem sequer uma resposta automática. Duas horas depois, o que chega? Exatamente uma resposta automática, dizendo que entrarão em contato comigo “em até 72 horas ÚTEIS”.

É piada, né?

Fiz então uma reclamação no site Reclame Aqui. No dia seguinte, havia uma resposta da empresa que começava com “Prezado(a) ROMULO” e terminava dizendo que o produto estava com data de entrega prevista para o dia 30, e era para eu aguardar. Já que o meu nome não é Rômulo, fiquei realmente sem entender. Deixei a reclamação em aberto e disse à empresa que o problema não estava resolvido. Na semana seguinte me liga uma funcionária da Ricardo Eletro e diz a mesma coisa.

Ou seja: demoraram seis dias para me dizer que o produto iria atrasar mais seis dias. Nesse meio tempo pedi informações via e-mail para o Procon (o que eles não responderam) e disse mais uma vez no Reclame Aqui que o meu problema não estava resolvido. Eis que chega o fatídico dia 30. E a máquina chegou? Nãããão!

O pior é que o caso não é só comigo. Uma amiga minha também comprou uma máquina de lavar na Ricardo Eletro. A dela chegou, mas adivinha? Não lavou nem uma leva de roupas. Já pifou. Outro cara do Reclame Aqui comprou um produto no início de abril. Não só deixaram de entregar como, quando ele foi reclamar, tiveram a ousadia de dizer que estavam sem o produto no estoque.

Inclusive, os números da Ricardo Eletro no Reclame Aqui são bem desanimadores:

Ricardo Eletro
Clique na imagem para ampliar

O que eu deveria ter feito antes de comprar era uma pesquisa no Reclame Aqui. Os dados da tabela acima são de 30/05/2011, mas a comparação pode ser acessada aqui.

Amanhã de manhã vou cancelar a compra e pedir meu dinheiro de volta. Por sorte, parcelamos em vários meses no cartão, então podemos suspender o pagamento e, na pior das hipóteses, ficamos com uma parcela de prejuízo. O que me recomendaram fazer, independente de cancelar a compra ou não, é enviar a reclamação para o Ministério Público de São Paulo, através do e-mail: consumidor[arroba]mp.sp.gov.br. Minha mensagem já foi inclusive encaminhada para a Promotoria de Justiça do Consumidor. A tese é a de que se muitos enviarem reclamações, o Ministério Público será obrigado a pedir explicações para a Ricardo Eletro, caso que já aconteceu no Rio.

Além de ficar sem a máquina tenho a sensação de estar sendo feita de boba. A Ricardo Eletro não tem sequer a decência de me comunicar, antes do prazo final, que o produto irá atrasar. E mandar um e-mail falando que vai responder em até 72 horas úteis (cerca de 7 dias úteis) é cúmulo da palhaçada. E o pior: tenho certeza que isso é extremamente calculado, do tipo: “vamos ter que pagar x em processos, mas em compensação vamos economizar 2x em atendimento ao consumidor e no final tudo vai se compensar”. Será que o Ministério Público consegue consertar isso?

Agora, me dêem licença que eu tenho três calças jeans para lavar. Na mão.

Atualização 1:

Descobri que o banco só devolve o dinheiro depois que a Ricardo Eletro confirmar o cancelamento da compra. Que medo.

Atualização 2:

Liguei pra Ricardo Eletro agora de manhã (terça) e (depois de 20 minutos na musiquinha) consegui cancelar o meu pedido. O que a atendente me disse é que o produto vai ser entregue de volta pela transportadora e que a partir da segunda fatura, o dinheiro será devolvido. De acordo com a atendente, mesmo que a máquina não seja entregue de volta pela transportadora, terei meu dinheiro de volta. Ela só pediu que eu não receba o produto.

Apesar disso, é provável que entremos um com recurso no juizado especial para obter o dinheiro de volta em 24hs.

Atualização 3:

O Ministério Público acionou a Ricardo Eletro na Justiça!

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