Seja materialista

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Calma. Você não entrou no blog errado. Antes de se revoltar e remover permanentemente o Iniciativa Sustentável do seu reader, leia pelo menos até o segundo parágrafo.

Quero mostrar aqui uma nova visão do modo de se lidar com as coisas, que descobri, como não poderia deixar de ser, navegando por essa vasta rede mundial*. Foi quando me daparei na revista Vida Simples com a história de um cara que decidiu viver com apenas 100 coisas. Ele se lançou a esse desafio depois de parar para olhar à sua volta e descobrir que não estava cercado de pessoas, de laços, de  sentimentos, mas de coisas.

Conte comigo, quantas coisas você deve ter? A começar pelo computador ou notebook, no qual você está lendo esse texto. Imagino também que esteja usando uma vestimenta, composta de roupas íntimas e roupas de cima, e que no seu armário há várias combinações desses modelos. Você deve ter um celular, escova de dentes, mouse, diversas canetas que sempre se perdem, agenda, livros, revistas que nunca terminou de ler, relógio, cama, colchão, cds, dvds, sua garrafa d’água pessoal, porta-retratos com os entes queridos, barbeador/depilador, um ou dois carros. Isso se falando coisas relativamente básicas para a vida moderna e que não têm que ser repostas periodicamente, como sabonetes, pasta de dentes, papel higiênico e por aí vai.

Pois Dave Bruno se saturou de todas essas coisas e começou a pensar: preciso mesmo de tudo isso? Quantas coisas, objetos, um ser humano precisa para viver? E então lançou o desafio das 100 coisas: viver um ano com apenas 100 itens. Ele passou o ano de 2009 assim e já lançou o desafio para 2010.

Aí você me diz: “que espécie de escritora maluca é essa que imagina conversar com o leitor?” Não, quero dizer, você provavelmente deve estar se perguntando onde entra o materialismo aqui, já que a ideia é se livrar das coisas. Pois aí é que está o verdadeiro x da questão. Imagine que, durante um ano, você pudesse usar apenas uma caneta Bic. Nenhuma outra. Você cuidaria ao máximo para não perder ou estragar o objeto, afinal, ficar sem caneta quando se precisa é um suplício (pelo menos para uma jornalista). Como adquirir uma caneta é coisa mais fácil e banal do mundo, a gente não costuma se precupar muito com esse objeto. E essa atitude se estende ao muito que temos.

Ame a sua caneta Bic

Não só temos um excesso de coisas como cuidamos mal dessa infinidade de itens e temos que adquirir novos objetos para substituir o que foi quebrado ou perdido. Daí a ideia de ser materialista, no sentido de preservar seus bens. Pensar em cada nova aquisição como se fosse algo único, não automático.

Além disso, cada bem que você tem é realmente especial, mesmo que seja uma caneta Bic, porque os materiais usados na fabricação foram retirados de algum lugar ao qual provavelmente não retornarão. Mesmo uma simples caneta foi feita, pensada, embalada e transportada por pessoas que fazem disso a sua vida.

*www: World Wide Web

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