Maquininha de transformação

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On Flickr by eschipul (cc)

Hoje eu subi um degrauzinho na escadaria da minha evolução pessoal.

Foi assim: precisava sair 19h30 do trabalho, para resolver uma pendência que está pendente há dias. Pedi e avisei com antecedência, mas faltando 10 minutos, me cai uma pilha de tarefas no colo. Conclusão: a pendência voltou para a pilha das “tarefas urgentes e não-cumpridas”.

Fiquei com raiva. Torci o nariz, amarrei o burro e fiquei resmungando comigo mesma por uns bons cinco minutos. Depois refleti: a situação é injusta? É. Afinal, esse é o horário normal em que eu deveria sair do trabalho (o que eu pedia era pra não fazer hora extra hoje). Além disso, se essa pendência não for resolvida logo, vai passar para o status de problema sério. Mas o que eu ia fazer? Subir em cima da mesa e sapatear?

Há alguns anos atrás, eu iria de burro amarrado para casa. Provavelmente seria grossa com várias pessoas no meio do caminho sem nem dar a elas a chance de entender o motivo do meu mau-humor. Talvez até fizesse birra e descontasse a questão na qualidade do trabalho. Lidar com a raiva, com o rancor e com a frustração é uma questão delicada para mim desde a infância. Quando criança, vez ou outra eu tinha surtos de ódio e descontava quebrando objetos (as pessoas nunca, ainda bem). Um tampo de vidro trincado, um sulco de caneta na parede e uma lixeira quebrada são resultado do meu furor.

Com o tempo, e com o apoio de pessoas muito especiais que tiveram paciência comigo, tenho feito progressos nesse quesito. Por isso, hoje fiz uma forcinha, acionei minha maquininha de transformação interior e me lembrei de um provérbio budista: “se não dá para mudar uma situação, você pode pelo menos mudar sua atitude em relação a ela”. Então, já que o compromisso estava perdido, aproveitei para relaxar e fazer o restante das minhas tarefas com tranquilidade e atenção. Em paz.

Terminado o serviço, surge mais um pepino. Pois não fiz corpo mole, fui atrás da solução. Saí do trabalho já ia uma hora depois do combinado. Em tempos passados eu chegaria em casa trazendo um pacotinho com o meu mau-humor, um rancor amargo e até talvez a incompreensão dos outros. Mas hoje eu voltei com um mix de paz interior com reconhecimento pelo trabalho cumprido e um tapinha nas costas de brinde. Ponto para mim.

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