A difícil relação entre fonte e repórter

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Bloquinho e caneta. A paciência não coube na foto

Oh, amigos e parentes de jornalistas, tremei! Vocês ainda serão fontes. Jorrarão incessantes e verborrágicas cataratas de informações, enquanto o repórter recolherá uma cumbuquinha para molhar o seu pincel.

Explico: no jargão jornalístico, fonte é a pessoa entrevistada pelo profissional da notícia. O seu relato sobre uma experiência pessoal ou um assunto de sua especialidade enriquece e dá credibilidade ao texto. Pode acontecer inclusive de uma reportagem inteira depender do depoimento de uma única pessoa.

A fonte recebe o telefonema, e-mail ou visita do repórter, responde  a dúvidas nas horas mais inconvenientes, fala sobre sua vida íntima e muitas vezes trata de temas espinhosos. Se não fossemos jornalistas com uma reportagem em vista, poderíamos ser claramente mal interpretados. Imagina ligar para alguém que você não conhece para perguntar: “Então, você foi a três ginecologistas e não conseguiu resolver o problema? Me conta mais?” É preciso credencial e expertise.

Em várias ocasiões, a fonte abre o coração e conta muito mais do que o repórter quer saber. É comum uma entrevista de duas horas render apenas uma frase e o entrevistado ficar decepcionado. Alguns também fazem pedidos impossíveis de atender, como aconteceu com uma amiga minha, que uma vez quase teve que se impor: “olha, eu não vou falar sobre o seu time de futebol amador na minha matéria sobre canoas!” Outra amiga, que escreve em revistas femininas, um dia não conseguiu deixar de se envolver com o depoimento que estava colhendo e soltou: “Olha, você vai ligar pra ele e terminar tudo a-go-ra! Acorda, esse cara tá te enganando!”

Brincadeiras a parte, essa é uma relação delicada. A fonte muitas vezes é colocada em um patamar abaixo do leitor. Eu discordo dessa posição. Acredito que o entrevistado merece tanto respeito como quem lê o jornal a procura de informação. Muitos profissionais (e aqui falo de forma genérica) fazem promessas a seus entrevistados que sabem que não poderão cumprir. Outros escondem que são jornalistas ou mentem sobre o objetivo da reportagem. Na melhor das hipóteses, há também quem desconsidere um simples feedback para dizer quando a matéria irá sair.

Muito respeito com as fontes. Antes de serem parte da engrenagem da notícia, elas são pessoas reais com histórias que diriam respeito a mais ninguém, não fosse o fato de serem altruístas o bastante para escolherem compartilhá-las. Se um jornalista não consegue ver isso, pode estar na profissão errada.

Jorrarão incesante e verborragicamente cataratas de informações, enquanto o

repórter recolherá uma cumbuquinha para molhar o seu pincel. Explico: no

jargão jornalístico, fonte é a pessoa entrevistada pelo profissional da

notícia. O seu relato sobre uma experiência pessoal ou um assunto de sua

especialidade enriquece e dá credibilidade ao texto. Pode acontecer

inclusive de uma reportagem inteira depender do depoimento de uma única

pessoa.

A fonte recebe o seu telefonema, e-mail ou visita, responde nas horas mais

incovenientes, fala sobre sua vida íntima e muitas vezes trata de temas

espinhosos. Se não fossemos jornalistas com uma reportagem em vista,

poderíamos ser claramente mal interpretados. Imagina ligar para alguém que

você não conhece para perguntar: “Então, você foi a três ginecologistas e

não conseguiu resolver o problema? Me conta mais?” É preciso credencial e

expertisse.

Em várias ocasiões, a fonte abre o coração e conta muito mais do que o

repórter quer saber. Por vezes fazem pedidos impossíveis de atender, como a

minha amiga que um dia quase teve que se impor: “não, eu não vou falar

sobre o seu time de futebol amador na minha matéria sobre canoas!” Outra

amiga, que escreve em revistas femininas, um dia não conseguiu deixar de se

envolver com o depoimento que estava colhendo: “Olha, liga pra ele e

termina tudo a-go-ra! Esse cara tá te enganando!”

Brincadeiras a parte, essa é uma relação delicada. A fonte muitas vezes é

colocada em um patamar abaixo do leitor. Eu discordo dessa posição.

Acredito que o entrevistado merece tanto respeito como quem lê o jornal a

procura de informação. Muitos profissionais (e aqui falo de forma genérica)

fazem promessas a seus entrevistados que sabem que não poderão cumprir.

Outros escondem que são jornalistas ou mentem sobre o objetivo da

reportagem. Na melhor das hipóteses, há também quem desconsidere um simples

feedback para dizer quando a matéria irá sair.

Muito respeito com as fontes. Antes de serem parte da engrenagem da

notícia, elas são pessoas reais com histórias que diriam respeito a mais

ninguém, não fosse o fato de serem autrístas o bastante para escolherem

compartilhá-las. Se um jornalista não consegue ver isso, pode estar na

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