O desejo universal

Postado em Atualizado em

Por Kaptain Kobold on Flickr
Para o alto e avante!

Alguns posts atrás, eu disse que a dor é um sentimento universal, que nos liga a todos. Minha opinião sobre o assunto não mudou, mas hoje percebo outro elemento comum a qualquer um que se denomine humano: o desejo de evoluir.

Isso me veio à mente de uma maneira particularmente forte depois da jornada de ontem, que foi bem peculiar. A trabalho conversei, no mesmo dia, com a moradora de uma favela na beira do esgoto e com um milionário dono de uma loja de carros de luxo.

Ambos foram igualmente gentis e me cederam parte de seu tempo para conversar sobre coisas que os animam e que preenchem suas vidas. A moça da favela está feliz porque está conseguindo finalmente construir um cantinho para ela e os dois filhos em cima da casa de sua mãe. Antes ela morava em um barraco na beira do rio, que é muito poluído e transborda constantemente, de forma que é uma mudança muito importante para ela.

O empresário estava radiante pelo sucesso da filial que abriu em São Paulo, a segunda da marca a ser aberta na América Latina. As vendas superaram, e muito, suas expectativas e ele vê isso como um indicador da saúde da economia brasileira. Afinal, não se vendem muitos carros de luxo em um país que está na lama do subdesenvolvimento.

Nessas duas pessoas, que moram na mesma cidade mas têm realidades completamente diferentes, eu vi muito em comum. Primeiro na crença no país em que vivem. Segundo, na procura constante por melhorar sua situação e o ambiente ao seu redor, nem que seja um pouquinho. Confortáveis ou não, ambos desejam evoluir. Desejam sair de onde estão para atravessar uma jornada e chegar a um lugar melhor.

Creio que isso é outra coisa que nos une, nós, humanos. Sempre temos  vontade de ir adiante, de dar o próximo passo, de alcançar uma meta mais alta. O menor tempo, a maior pontuação, o salto mais alto, o carro mais rápido, tudo é desejo de superação.

Muita gente vê isso como uma insatisfação constante. Como se ninguém estivesse feliz com o que tem, sempre vendo a grama mais verde no jardim do vizinho. Eu digo: ainda bem que é assim. Ainda bem que nunca estamos satisfeitos. Se não fosse assim, ainda estaríamos dormindo no chão frio de uma caverna escura.

Um comentário em “O desejo universal

    Mariana Congo disse:
    22.agosto.2010 às 12:55

    Belo post!

    Ordem e progresso! Talvez nem tanta ordem, mas o progresso é sempre desejado.

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