Aplicando a multa moral

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Outro dia tive a oportunidade de aplicar minha primeira multa moral.

Foi em uma palestra do Carlos Heitor Cony. Além de ouví-lo falar, as primeiras 50 pessoas que chegassem ao local teriam direito de comprar o livro que ele lançou, Eu, aos Pedaços. Corri por vários quarteirões carregando um saco de ração de 4 kg e cheguei 40 minutos antes do horário, exausta e suada. Já havia uma fila considerável. Com o tempo as pessoas foram se cansando de ficar em pé. Algumas desistiram, outras pediram para guardar lugar e sentaram nos degraus da escada.

Comecei a conversar com um rapaz e uma moça que estavam na minha frente. Comentávamos que havia pessoas que tinham acabado de chegar e se aproximavam da fila, possivelmente com a intenção de burlar um lugar. Tive então a oportunidade de apresentar essa ideia nova da multa moral. As pessoas ao redor ficaram bem interessadas, de modo que distribuí vários exemplares pra difundir a ideia.

Entre as pessoas recém chegadas que paravam próximo à fila, havia um homem de camisa verde que chegou uns cinco minutos antes do horário e se postou ao lado da primeira pessoa. O cara batia papo tranquilamente, e a gente de olho, lá do meio da fila. “Parece que vai furar” dizia um senhor. “Ele chegou muito depois da gente” dizia uma moça.

Quem chegou antes tem direito. É ou não é?

De fato, na hora que a porta se abriu, lá foi o moço disfarçademente e, como quem já “estava com a turma” se esgueirou pra dentro do recinto. Não satisfeito com desrespeito, ele ainda teve o desplante de pegar o livro e ir embora. Ou seja: estava ali só pra faturar um exemplar a preço de banana.

Pois não titubiei. Preenchi o papelzinho, e na hora que o sujeito saía sorrateiramente, lhe chamei e estendi a multa. “O que é isso?” ele perguntou sem entender muito bem. “É uma multa moral, porque você furou a fila” disse eu, num tom cordial, porque também não é pra ofender. “Ah…” disse ele, sem graça. E foi embora.

Nós na fila rimos e sentimos que, de alguma forma, Justiça fora feita. Não que eu seja a paladina da moral agora, mas o gostinho foi bom e quem sabe o cara pense duas vezes da próxima vez?

Falassério, furar fila é um dos hábitos mais deploráveis. Não sei por que as pessoas acham que, se conhecem alguém que já está lá na frente, têm o direito de entrar junto com a pessoa, como se fizessem parte do “pacote”. Alguém entende?

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