Por um breve instante*

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Porque estamos todos no mesmo barco

Quando eu tinha 12 anos quis sair de uma grande escola na qual estudava para ir para outra pequenininha, que ninguém conhecia.

Eu era uma pré-adolescente extremamente tímida e insegura, e me sentia muito só. Além disso, eu falava tão baixo que a maioria das pessoas não entendia o que eu dizia. Parecia que tinha medo da minha própria voz.

A coordenadora então me chamou para uma conversa, para saber por que eu queria deixar o colégio. Não me lembro bem o teor da conversa, mas lembro que no final ela disse: “nunca deixe de dizer o que você pensa”.

Isso me marcou de uma maneira bem peculiar. Hoje, outros 12 anos depois, converso com todo mundo, falo em público numa boa e não tenho medo de trocar ideias, mesmo com quem sabe mais do que eu. Trabalho com comunicação e tenho este blog, no qual escrevo o que me dá na cachola. É claro que muitas outras coisas aconteceram (e é natural que pré-adolescentes sejam tímidas), mas não posso deixar de pensar que a frase dita naquele dia tenha me influenciado a mudar. Tanto é que me lembro dela até hoje, como um momento de epifania.

Isso é importante pra dizer que 10 segundos que você gasta com uma pessoa podem mudar a vida dela, para o bem ou para o mal. Outro exemplo é esse texto maravilhoso que a  Silviàmélia, minha amiga que foi minha professora, escreveu no seu blog, o Tapete de Penélope:

“Por uma estação

Sápassado estava eu na estação Barra Funda. Entrei em uma das baias para aguardar o metrô. Perto de mim cinco crianças pequenas com a mãe nervosa esperavam. Um menino de uns 4 anos se afastou um pouco dela. Com um menino de uns dois anos no colo, a mãe soltou a mão de outro menino de uns 3 anos e voou neste de 4 anos que se afastava rumo aos trilhos do metrô. Apertou o braço do menino, deu um safanão e depois um tapa no rosto. O menino ficou chorando baixinho.

O metro parou. Entrou a mãe, as cinco crianças pretinhas, eu e as demais pessoas. A mãe berrou “não é pra sentáááá, vamos descer na próxima estação, não é pra dar de folgado aê” enquanto puxava pelos cabelos as duas meninas mais velhas – de não mais que 9 anos – que faziam movimento de que iam se sentar a despeito da repreensão verbal. Por fim a mãe se sentou com o menino mais novo e os demais ficaram no corredor. O menininho que apanhou na estação ainda chorava  baixinho. Ele olhou pra mim e eu olhei pra ele. Falei discretamente, quase sem som “quer colo?”. Ele nem respondeu, veio pertinho e eu o coloquei no meu colo. Na hora a mãe e os irmãos apontaram zuando. Eu abracei o menino e falei em seu ouvido “você é muito lindo”. Ele ficou feliz. Balancei as minhas pernas fazendo “upa, upa” discretamente. Os irmãozinhos olhavam sem zuar, já com ciúmes. Ele não chorava mais. Falei no seu ouvido “já tá chegando, é aqui que vocês vão descer, né”. Ele fez sinal de sim com a cabeça e voltou a chorar. Mais um abraço e eu o coloquei de pé. Ele fez “tchau” com a mão.”

Precisa dizer mais?

*Isso é um pleonasmo? Se for eu tenho licença poética, tá?

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