Machismo, a burca brasileira

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by Made Underground (flickr/cc)

Desde que decidiram que o homossexualismo é uma ofensa, o futebol se mostrou um campo fértil para a homofobia. Para ofender o torcedor do time adversário, basta fazer comentários sobre a orientação sexual da torcida ou dos jogadores do time. Isso tudo porque, teoricamente, “futebol é coisa de macho” e macho que é macho gosta é de mulher. Mesmo que uma jogadora brasileira tenha sido eleita a melhor do mundo e que milhares de homens gays usem de uma enorme dose de coragem para não viverem amarrados pelo que sua avó acha ser o certo.

Nesse sábado, um colunista do jornal O Tempo escreveu um artigo falando sobre esse assunto, e como a torcida do cruzeiro estava associada ao mundo gay. Vejam bem, ele não teve a intenção de dizer que a torcida cruzeirense é composta de homossexuais, e sim traçou hipóteses sobre os motivos dessa associação. Só que o fato de ele ser gay e cruzeirense falou mais alto que tudo que ele escreveu.

Nos comentários, dezenas apagados por conterem ofensas ou palavrões, há desde ofensas à credibilidade do jornal até “piadas” sobre a sexualidade de atleticanos e cruzeirenses. O fato de a torcida do cruzeiro ter um torcedor gay virou uma piada tão grande que eu não consegui distinguir os comentários sérios dos jocosos.

E o que eu tenho a ver com isso, se não sou homem, não sou gay e não gosto de futebol? Tudo. Porque é esse tipo de pensamento e raciocínio que idolatra o machismo que coloca essa “filosofia” no nosso caminho todos os dias. E é por isso que quando eu e inúmeras mulheres aparecem em um ambiente predominantemente masculino, como construções, bares, oficinas, e outros, sempre somos encaradas como um pedaço de carne que está ali puramente para o “entretenimento” dos “machos”.

Levei muito tempo para me sentir bem usando saia sem meia-calça, simplesmente por causa desse comportamento idiota. E muitas mulheres ainda têm medo (medo mesmo) de usar determinadas roupas, porque sabem que os homens vão ficar olhando, fazendo piadinhas, comentando. Nesse cenário, pra quê burca, se temos toda a censura social a favor do machismo?

E isso lembra, é claro, a aluna da Uniban, que foi quase linchada e estuprada por centenas de universiatários que acharam que ela estava “causando” por usar uma mini-saia rosa! Imagina quantas meninas mais não ficaram com medo de usar esse tipo de roupa. E aí passam a escolher o modo como saem às ruas pelo medo, não pelo conforto, beleza ou estilo. Realmente, isso deixa a ditadura da moda no chinelo.

2 comentários em “Machismo, a burca brasileira

    Mariana Congo disse:
    2.dezembro.2009 às 23:30

    Nussa!

      lorena alves disse:
      25.outubro.2011 às 8:05

      putz, caraca

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